60% dos postos de SP repõem estoque

Após greve de motoristas de caminhões-tanque contra restrição na Marginal, estabelecimentos já têm nível mínimo de combustível

Bruno Ribeiro - O Estado de S. Paulo,

09 Março 2012 | 23h05

SÃO PAULO - Cerca de 60% dos postos da Grande São Paulo já estão com os estoques normalizados para o fim de semana. E mesmo os que ainda não estão com todos os combustíveis em ordem já têm etanol ou gasolina em níveis suficientes para atender os consumidores. Com isso, começa a chegar ao fim o efeito da greve de caminhoneiros autônomos, que cruzaram os braços e fizeram piquetes contra a nova restrição ao trânsito de veículos de carga na Marginal do Tietê.

No entanto, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), a demanda por parte dos motoristas continuou alta nesta sexta-feira, 9. A forte procura por combustíveis dificultou a manutenção dos estoques durante o dia, segundo a entidade. "Aquela falta de produto já acabou, mas teve muita gente hoje que ainda encheu o tanque, com medo de não encontrar gasolina", disse o presidente da sindicato, José Alberto Paiva Gouveia.

A previsão é de que, neste final de semana, todos os postos tenham tanto combustível para vender quanto material armazenado para os próximos dias. A distribuição, no entanto, está respeitando os horários da restrição na Marginal do Tietê e nas outras 25 vias do minianel viário da capital paulista - de segunda a sexta-feira, das 5h às 9h e das 17h às 22h, e aos sábados, das 10h às 14h.

24 horas. Um dos motivos para a normalização dos estoques foi que centros de distribuição da Região Metropolitana aumentaram o volume de combustível despachado. Só a Raízen, distribuidora para estabelecimentos Shell, Esso e alguns de bandeira branca (postos independentes), distribuiu ontem 11,8 milhões de litros de gasolina e etanol. O balanço, que considerou apenas o horário das 2h às 14h, indicou o despacho de 8 milhões de litros.

"A fim de regularizar o abastecimento o mais breve possível, os terminais vão operar em turnos de 24 horas, inclusive neste domingo", informou a empresa, em nota. Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustível e de Lubrificantes (Sindicom), as outras distribuidoras adotaram a mesma medida.

A Grande São Paulo consome cerca de 40 milhões de litros de combustível por dia, dos quais 22 milhões vão para os postos - o restante é usado por empresas de transporte e indústrias.

Trânsito. Se a crise dos combustíveis parece resolvida, as medidas restritivas impostas pela Prefeitura ainda não tiveram a eficiência comprovada - pelo menos não na primeira semana de vigência das novas regras da cidade. Hoje, o trânsito manteve-se dentro da média histórica na maior parte do dia - a exceção foi das 9h30 às 11h30, quando ficou mais intenso do que o normal, segundo balanço da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

A lentidão também não foi reduzida na quinta e na quarta-feira. Já na segunda-feira, o trânsito de horário de pico da tarde teve uma queda de 56% em relação à média. Na terça, embora a redução à tarde tenha se repetido, houve um novo horário de pico na parte da manhã, das 9h às 11h, que teve movimento três vezes maior do que o comum.

"Em uma análise preliminar, percebe-se uma tendência de diminuição nos picos da manhã e da tarde na Marginal do Tietê, com reflexo em toda a cidade", informa a CET, em nota. "Vale ressaltar que os números de lentidão registrados na terça-feira se referem aos problemas ocorridos na Avenida Chedid Jafet, por causa de um vazamento de gás de grandes proporções."

A companhia também aponta problemas pontuais para explicar a lentidão da quarta: "Foi registrada ocorrência de acidente fatal entre motocicleta e caminhão na pista local da Marginal do Pinheiros."

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