WERTHER SANTANA/ESTADÃO
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60% da frota para em Osasco e Diadema

Greve afetou 230 mil passageiros nas duas cidades; categoria critica negociações

Bruno Ribeiro e Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

22 Maio 2014 | 21h49

SÃO PAULO -Pelo menos 60% da frota das cidades de Osasco e Diadema, na Grande São Paulo, deixou de circular nesta quinta-feira, 22, e permaneceu nas garagens, durante greve de motoristas e cobradores. A estimativa das prefeituras e da categoria é de que cerca de 230 mil passageiros tenham sido afetados. Por causa da paralisação, coletivos ficaram superlotados e a espera nos pontos chegou a até três horas.

Nos dois municípios, trabalhadores descontentes com a atuação do sindicato nas negociações com as empresas iniciaram a paralisação, impedindo que os coletivos deixassem as garagens, em movimento parecido com o da capital.

Em Osasco, onde a greve começou na tarde desta quarta-feira, 21, dois cobradores da Viação Osasco foram presos de ontem por depredar ônibus que tentavam operar. No total, 26 coletivos foram danificados por grevistas, segundo a prefeitura.

Os dois detidos vestiam o uniforme da empresa e foram reconhecidos por uma testemunha que os viu jogando capacetes contra os vidros. Segundo a Polícia Militar, eles seriam indiciados por dano. À noite, pagaram fiança e foram liberados. Eles negaram o crime.

De acordo com os trabalhadores, a paralisação foi iniciada após as empresas Viação Osasco e Urubupungá, as únicas que atuam na cidade, comunicarem oficialmente os trabalhadores que o reajuste salarial seria de 8%. "Nem empresas nem o sindicato nos consultaram sobre esse reajuste. Já que o sindicato não vem para a rua com a gente, nós decidimos parar", disse o cobrador Roberto Meiado, de 34 anos, um dos líderes. O presidente do entidade não respondeu à reportagem.

Na tarde desta quinta-feira, uma audiência de conciliação entre empresas e o sindicato foi realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), mas terminou sem acordo. As empresas mantiveram a proposta de 8%, que foi recusada pela categoria em assembleia realizada no início da noite. Os trabalhadores prometem manter a greve por tempo indeterminado. Eles pedem 15% de aumento, além de vale-refeição de R$ 22 e R$ 1,2 mil de participação nos lucros.

O prefeito de Osasco, Jorge Lapas (PT), afirmou que "fez sua parte" ao aumentar o subsídio das empresas de ônibus, com um reajuste total de 10%.

Diadema. Aproximadamente 1,1 mil funcionários parados na frente da garagem da Viação Mobi, que circula em Diadema, impediram a saída dos ônibus nesta quinta. Há apenas duas empresas de ônibus na cidade, o que fez com que a outra viação, a Benfica, aumentasse o número de coletivos nas ruas para circular nas linhas operadas pela Mobi.

A ação não evitou os transtornos para a população. "Já estou há uma hora no ponto. É o dobro do tempo que espero", disse a cozinheira Maria Eunice dos Santos, de 51 anos.

Os funcionários da Mobi afirmam que estão parados porque querem receber o mesmo piso salarial dos motoristas do ABC paulista. "Como a nossa garagem fica em São Paulo, nós não somos do sindicato dos motoristas do ABC. Mas também não somos do sindicato da capital. Somos do sindicato dos motoristas rodoviários, e eles não nos representam", afirmou um grevista que não se identificou. "Ganhamos piso de R$ 1.850. No ABC, é R$ 2.555. Não vamos voltar enquanto não recebermos a mesma coisa", disse.

Um representante do Sindicato dos Rodoviários de São Paulo acompanhou a greve e afirmou que a entidade apoia o movimento, apesar de não liderá-lo. Givaldo Paes de Melo, diretor de base, disse que tentou intermediar uma negociação entre funcionários e empresa, sem sucesso. Melo rebateu as críticas sobre a falta de representação da entidade, afirmando que, apesar de a empresa operar no ABC, ela está localizada na capital. "Se ela mudasse para o ABC, seria outro sindicato. Como não mudou, legalmente não tem jeito. É conosco", disse.

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