6 presos por furto de malas em Cumbica

Bagagens de voos internacionais eram desviadas por funcionários para desembarque doméstico e falso passageiro as tirava de terminal

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2012 | 03h05

Seis pessoas que atuavam em um esquema de roubo de malas foram presas ontem no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Quatro eram funcionários de empresas terceirizadas prestadoras de serviços para companhias aéreas e outro era ex-empregado. Diversas bagagens foram apreendidas e agora serão identificadas para serem devolvidas às vítimas.

As malas mais visadas eram as de passageiros de voos internacionais, principalmente provenientes dos Estados Unidos. O esquema funcionava da seguinte forma: as malas, que deveriam seguir para as esteiras do desembarque internacional, eram desviadas pelos funcionários para a área de desembarque doméstico. De lá, um integrante do grupo saía com a bagagem como se fosse passageiro.

Se fizesse o mesmo no desembarque internacional, ele teria de passar obrigatoriamente pela alfândega. Na área de voos domésticos há pouca revista e a saída, depois de pegar a mala na esteira, é quase imediata. Por isso, era onde os bandidos encontravam trânsito livre para agir.

Uma segunda alternativa investigada pela Polícia Civil de São Paulo para explicar a saída das malas é que elas podem ter sido desviadas antes mesmo de chegar às esteiras, nos carrinhos que andam pela pista.

A apuração ainda segue, e o delegado titular do aeroporto, Ricardo Guanaes Domingues, disse acreditar que outras pessoas podem estar envolvidas no esquema de desvio de malas.

"Era um esquema diferente, porque não era o furto de pertences de dentro da mala, mas da bagagem como um todo", afirmou o delegado, que investigava as seis pessoas da quadrilha - quatro homens e duas mulheres - havia mais de cinco meses.

Algumas malas foram encontradas nas casas dos funcionários presos ontem. Segundo Domingues, o próximo passo é saber de quais companhias e de quais passageiros foram furtadas para devolvê-las. O delegado estima que, depois da intensificação das investigações aos chamados "crimes da mala", roubos e furtos em Cumbica caíram 30%.

No saguão. O esquema que foi pego pela polícia ontem funcionava nas áreas restritas do aeroporto. Mas o mesmo problema de furto de malas acontece nos saguões de Cumbica também.

Em novembro, quatro colombianos foram presos por furtar a bolsa de um passageiro enquanto ele fazia check-in em Cumbica. A polícia abordou o grupo - uma quadrilha acusada de atuar também em outros crimes no aeroporto - em um Corsa prata no estacionamento, e um deles confessou o crime.

Naquele mesmo mês, outras cinco pessoas foram presas ou indiciadas por furto em Cumbica - entre elas, uma peruana e um argentino. Eles foram flagrados pelas câmeras de segurança do aeroporto, que mostraram os diversos momentos em que passageiros se descuidavam da bagagem enquanto o bando agia.

No caso dos colombianos, foram câmeras do estacionamento de Cumbica que flagraram o Corsa prata usado pelos amigos Cristian Fabian Cardona, Iury Iurlei Rodriguez Lemes, Diego Armando Hernandez Rodriguez e Ehiber Reinoso Figueroa. Em ocasiões diferentes, quando outros furtos foram registrados no aeroporto, o mesmo carro aparecia nas imagens deixando o estacionamento.

À polícia, eles disseram primeiramente que estavam no aeroporto para comprar passagem. Depois, confessaram o crime. Segundo Domingues, os colombianos atuavam também em hotéis e em eventos de grande aglomeração de pessoas.

Ainda no estacionamento do aeroporto, uma quadrilha que roubava estepes de carros também foi pega pela polícia no fim do ano passado.

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