6 PMs são presos por chacina no Campo Limpo

Sete pessoas foram mortas em bar no dia 4; principal hipótese é de retaliação por filmagem de execução em abordagem em novembro

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2013 | 02h07

Seis policiais militares foram presos ontem acusados de participar da chacina que terminou com a morte de sete pessoas no último dia 4, em um bar no Campo Limpo, na zona sul de São Paulo. Todos pertencem à Força Tática do 37.º BPM, que faz o patrulhamento da área.

Ainda não foi apontada a motivação do crime, mas a hipótese mais provável é de que tenha sido uma retaliação pelo fato de um morador ter filmado a execução do servente Paulo Batista do Nascimento durante uma abordagem policial em novembro. Cinco PMs foram presos na ocasião. O bar fica dez metros distante do local do primeiro crime.

No local da chacina foram encontrados três estojos de pistola .40 de um lote distribuído para o 37.º BPM. Para fazer o confronto balístico e descobrir de qual arma partiram os disparos, a Corregedoria pediu a apreensão de 97 pistolas e 24 espingardas usadas pelos PMs do batalhão. Após 86 armas testadas, chegou-se então à pistola usada pelo soldado Eric Gilberto Francisco, de 24 anos.

Em uma das vítimas, o DJ Laércio de Souza Grimas, de 33 anos, ficou a marca de uma coronhada dada possivelmente por uma espingarda calibre 12. Os policiais da 3.ª Delegacia de Homicídios (chacinas e latrocínios) desconfiaram que poderia ter ficado sangue na arma. Em uma arma idêntica, apreendida no quartel, havia sangue, recente, porém foi informado em planilha que a última dada de saída da espingarda havia sido em maio de 2012.

Descobriu-se, então, que o responsável pela distribuição das armas pediu dispensa no dia e foi substituído pelo soldado Anderson Francisco Siqueira, 36 anos, que acabou preso por colaborar com os demais para a realização do crime. Ele não soube explicar como a arma deixou o paiol.

O soldado Fabio Ruiz Ferreira, de 29 anos, não apresentou sua arma quando foi solicitada. Ele fez um boletim de ocorrência por roubo dois dias após a chacina, mas apresentou versões conflitantes na Corregedoria e na delegacia. A polícia desconfiou e cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa dele, onde foram encontradas três toucas ninjas sobre a mesa da cozinha. Também acabou preso.

Foram presos também o soldado Carlos Roberto Alvares, de 38 anos, a cabo Patrícia Silva Santos, de 36, e o sargento Adriano Marcelo do Amaral, de 40. Eles estavam na primeira viatura a atender a ocorrência e desligaram, por 54 minutos, justamente na hora do crime, o tablet que acompanha o veículo e pode dar informações como a localização exata e a distância percorrida.

Todos foram indiciados pelas mortes das sete pessoas e também por duas tentativas de homicídios (vítimas sobreviventes). Patrícia é investigada em outras duas chacinas. Um dos quatro carros usados pelos criminosos na chacina também foi flagrado no assassinato de um deficiente visual no dia anterior, mas mesma região.

Secretário. O anúncio das prisões foi feito na sede da Secretaria da Segurança Pública, pelo titular, Fernando Grella Vieira. Ele disse que não estão descartadas as prisões de outros PMs. Sobre a possível participação de oficiais, disse que isso será esclarecido ao término da investigação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.