6 milhões foram roubados. 51% não avisaram a polícia

Principalmente por não acreditar no trabalho policial ou por medo de represália, mais da metade das vítimas de roubo e furto ou agressões físicas não procurou a polícia para denunciar os crimes, diz o IBGE. Além de impedir a punição dos responsáveis, a subnotificação resulta em estatísticas distorcidas.

Luciana Nunes Leal, Felipe Werneck, Marcela Spinosa e Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2010 | 00h00

Entre as 6 milhões de pessoas que declararam terem sido roubadas entre setembro de 2008 e setembro de 2009, 51,6% não procuraram a polícia. No caso das 6,4 milhões de vítimas de furto, o índice sobe para 62,3%. A justificativa mais comum para não ir à delegacia, no caso de roubo, foi "não acreditar na polícia". Esse motivo foi apontado em 36,4% dos casos. Alegaram também falta de provas e o fato de não considerarem o roubo importante. Das vítimas de furto, a maioria (26,7%) alegou falta de provas e 23,1% disseram não acreditar na polícia. Já entre as vítimas de roubo que procuraram a polícia, mas não fizeram o registro, 24,9% afirmaram não acreditar na instituição.

São pessoas como Guilherme Augusto Roque de Carvalho, de 19 anos, que já foi roubado duas vezes. "Não adianta nada fazer BO (boletim de ocorrência)", afirma o estudante. Em 2004, ele comunicou à polícia o roubo da moto de seu irmão. Como não viu o veículo ser recuperado, Carvalho decidiu não prestar queixa na delegacia quando seu celular foi roubado, em 2006.

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