6 das 9 entidades de PMs ameaçam aderir à greve

Organizações podem deixar de trabalhar caso reivindicações não sejam atendidas ou haja violência contra amotinados em Salvador

TIAGO DÉCIMO / SALVADOR , DIEGO ZANCHETTA , ENVIADO ESPECIAL A ILHÉUS, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2012 | 03h02

Seis das nove associações de policiais militares da Bahia que ainda não aderiram à greve de parte da corporação, deflagrada na terça-feira, também ameaçam paralisar as atividades nesta semana, caso as reivindicações não sejam aceitas ou haja violência contra os PMs amotinados na Assembleia Legislativa. Hoje, 34 cidades se encontram sem nenhum policiamento.

As associações pedem incorporação da Gratificação por Trabalho de Polícia - o que elevaria a base salarial para R$ 2.300 - e anistia aos grevistas. No fim da tarde de ontem, teve início uma reunião de negociação entre o governo e as três principais associações da categoria. O arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, cardeal d. Murilo Krieger, decidiu intermediar o encontro.

Hackers e violência. Pelo menos 90% dos sites do governo foram tirados do ar ontem por hackers. O clima tenso voltou a se espalhar por Salvador, ontem, ao longo do dia. Houve registros de homens atirando a esmo nos bairros de Costa Azul e Boca do Rio, na orla da capital. Mas não houve feridos.

A Secretaria de Segurança Pública havia registrado, até as 18 horas, seis homicídios na região metropolitana de Salvador, dois deles na capital, elevando para 94 o número de assassinatos na região desde terça-feira, quando a greve começou.

Um ônibus foi sequestrado por homens armados e encapuzados e atravessado na Avenida Pinto de Aguiar, na orla, interrompendo o trânsito. Enquanto isso, boatos de arrastão voltavam a fechar lojas e provocar pânico em cidades do interior baiano. No extremo sul do Estado, em Vitória da Conquista, bancos e lojas baixaram as portas após homens gritarem "arrastão" no centro da cidade. Informações sobre assaltos também fizeram o shopping da cidade fechar por volta de meio-dia.

Quatro pessoas foram assassinadas na madrugada de ontem em Porto Seguro, cidade ao sul da Bahia que vive uma onda de violência desde sábado. Nove pessoas foram mortas nas últimas 48 horas no município.

Policiais de outras 11 cidades vizinhas a Porto Seguro também aderiram à greve ontem, em protesto contra o cerco do Exército na Assembleia Legislativa de Salvador. Eles ameaçam "parar aeroportos de todo o Estado" caso soldados cometam abusos na desocupação do prédio.

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