Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

54h para enterrar o corpo. E fora de SP

Greve do Serviço Funerário, que já dura 2 dias, fez família procurar Embu das Artes

Felipe Tau, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2011 | 00h00

A ajudante de cozinha Andréia de Souza, de 33 anos, só conseguiu marcar o enterro do avô para hoje, às 9h. Gregório morreu às 3h de terça-feira no Campo Limpo, zona sul da capital, mas a greve do Serviço Funerário adiou o traslado. A família teve de optar por sepultá-lo em Embu das Artes. No segundo dia de paralisação dos coveiros, guardas-civis continuaram auxiliando no transporte de cadáveres, mas o reforço foi insuficiente. A paralisação prossegue hoje.  

 

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Em nota, a Prefeitura reiterou sua posição, afirmando que a paralisação é "ilegal, inadmissível e inaceitável". Tanto a administração municipal quanto os grevistas têm poucas esperanças de um acordo nas próximas horas. Pelo segundo dia consecutivo, a Prefeitura não divulgou os cemitérios mais afetados. Cerca de 150 enterros são feitos no Município por dia.

Para escapar da demora da Prefeitura - que tem monopólio na remoção dentro da capital -, a família Souza, de origem humilde, contratou uma agência particular e optou pelo Cemitério Memorial Parque Paulista, em Embu, mesmo morando em Paraisópolis, na zona sul da capital.

Por lei, o transporte de corpos dentro da cidade de São Paulo só pode ser feito por uma empresa contratada pelo Serviço Funerário. A Secretaria Municipal de Serviços, responsável pela área, contratou 15 carros de funerárias particulares para auxiliar no transporte de corpos ontem, sem custos para a população. Mas as famílias já escolhem levar os cadáveres para outras cidades. O problema é que os custos aumentam.

"Pagamos R$ 4 mil para não depender deles e acabar logo com esse sofrimento", disse Andréia de Souza. Seu pai, ainda muito abalado, tinha acabado de deixar a fila do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), em Pinheiros, para comprar remédios para hipertensão.

A maior parte da demora no caso se deu na remoção do avô, que morreu no Hospital do Campo Limpo. Gregório Moraes de Souza, de 79 anos, só foi levado pelos agentes públicos para autópsia no SVO às 4h40 do dia seguinte à morte. "É muito desrespeito. Tivemos de assumir um empréstimo de última hora que nem sabemos como vamos pagar, mas meu avô não merece ficar jogado esperando", disse Andréia, enquanto aguardava a liberação do corpo, que ocorreu às 12h15 de ontem.

Empréstimo. Para pagar a dívida com a funerária particular, ela, o pai e a mãe pegaram emprestados R$ 5 mil em um banco, com o prazo de um ano para quitação. Apesar do gasto, o dobro do cobrado pela Prefeitura, Adriana, que tinha chegado às 10h30 ao SVO, ainda teve de esperar até as 14h30 pelo carro da funerária. Como só chegou ao cemitério às 16h35, decidiu deixar o enterro para amanhã.

COMO FAZER

Na hora da morte

O familiar deve dirigir-se a uma das 12 agências funerárias da cidade para contratar os serviços de velório e enterro - a Prefeitura custeia quem comprovadamente não pode pagar. É obrigatório levar atestado de óbito, expedido por médico ou SVO.

Mais informações

O telefone do Serviço Funerário é o 0800-10-9850.

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