JF Diorio/AE-13/8/2009
JF Diorio/AE-13/8/2009

54% das cavernas turísticas de SP estão fechadas

Motivo é a falta de plano de manejo que garanta visitação sem risco para turistas e meio ambiente

JOSÉ MARIA TOMAZELA , SOROCABA, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 03h03

Mais da metade das cavernas turísticas paulistas estão fechadas para o público por falta de plano de manejo que permita visitação sem risco para turistas e meio ambiente. Das 46 grutas que até 2008 recebiam visitantes de todo o Brasil, 25 - ou 54% - permanecem fechadas. As cavernas estão localizadas no interior e no entorno de quatro parques estaduais do Vale do Ribeira, a região mais pobre do Estado. Ainda não há prazo para reabertura das grutas. A demora na regularização prejudica o ecoturismo, uma das principais atividades econômicas da região.

Só o município de Iporanga tem 24 cavernas turísticas, mas 12 estão bloqueadas para visitas. A maioria fica no núcleo Santana do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), que recebeu 30 mil visitantes no ano passado. Das 12 cavernas abertas, algumas têm restrição de uso, como a Casa de Pedra, dona do maior pórtico do mundo. "A travessia da gruta, que é o principal atrativo, está proibida", conta a secretária de Turismo, Janayna de Oliveira Franco.

Segundo ela, embora o número de visitantes esteja aumentando, a cidade ainda não atingiu o fluxo de turistas anterior ao fechamento das grutas. Várias pousadas não voltaram a funcionar.

A Fundação Florestal, órgão da Secretaria do Meio Ambiente, informou que, após a interdição das cavernas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) há quatro anos, foi assinado um acordo com o Ministério Público Federal para elaboração de estudos visando à reabertura das grutas. Dos 32 estudos apresentados, alguns foram devolvidos para complementação e as grutas ficarão fechadas até que a análise seja concluída pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav) do Ministério do Meio Ambiente. Já ficou definido que as grutas Minotauro, no Parque Intervales, e Espírito Santo, no Petar, não serão mais abertas por possuírem ambientes muito frágeis.

Segundo o órgão estadual, fora dos limites dos parques outras cavernas permanecem embargadas pelo Cecav/ Ibama. São grutas que não estão sob o domínio do Estado e não têm plano de manejo, mas algumas delas são visitadas irregularmente. "Turismo de caverna irregular, praticado por monitores e guias, pode levar os incautos ao risco", advertiu a Fundação Florestal.

A secretária de Turismo de Iporanga admitiu que algumas grutas podem estar recebendo turistas irregularmente. Uma delas, a da Laje Branca, fica em área particular e era muito procurada por visitantes.

Também não foi possível a regularização de quatro grutas localizadas no entorno do Parque da Caverna do Diabo, pois estão em áreas de comunidades quilombolas. São as Cavernas Fria, Rolado 1, Rolado 2 e Rolado 3. No Intervales, também está com a visitação interrompida a Caverna Jane Mainsfield, que exige investimentos em segurança. No Parque do Rio Turvo, a única caverna, a Capelinha, também aguarda estudo para ser reaberta.

Ribeira. O Vale do Ribeira tem a maior concentração de grutas calcárias do País, com 440 relacionadas pelo Cecav. As maiores - Caverna do Diabo, com 8,2 mil metros de subterrâneos já explorados, e a Santana, com 7 mil metros - estão abertas ao público.

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