Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

53% dos paulistanos são contrários à redução da velocidade em SP

Entre os motoristas que utilizam o carro diariamente na capital paulista, a rejeição é ainda maior: 66% se declararam contrários

Juliana Diógenes, Rafael Italiani e Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2015 | 10h00

Atualizada às 21h10

SÃO PAULO - Dois meses após o início da redução de velocidade nas principais vias de São Paulo, uma pesquisa sobre mobilidade urbana feita pelo Ibope apontou que 53% dos paulistanos são contra a medida e 43%, a favor. O levantamento foi encomendado pela Rede Nossa São Paulo e pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio). O coordenador da Secretaria Executiva da Rede, Maurício Bronizi, disse que o resultado contrariou a expectativa: ele esperava rejeição de 70%.

Foram ouvidos 700 moradores da capital com mais de 16 anos. Bronizi disse que supunha uma rejeição maior porque o tema “teve uma repercussão muito mais negativa do que positiva”. A pesquisa foi feita antes da divulgação de dados da Prefeitura que apontaram queda de 36% no número de acidentes com vítimas nas Marginais do Tietê e do Pinheiros após a redução. O objetivo da administração municipal é adotar o padrão de 50 km/h na cidade.

De acordo com a diretora executiva do Ibope, Márcia Cavallari, o perfil dos contrários à redução da velocidade é de pessoas com maior renda, moradores da zona oeste e que dirigem todos os dias. A favor da medida, estão os moradores do centro e da zona norte.

A Seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entrou na Justiça, em julho, para suspender a mudança de limites. Mas a 11.ª Vara da Fazenda Pública não aceitou a ação, por entender que ela é de competência da Justiça Federal. Maurício Januzzi, presidente da Comissão de Trânsito da entidade, disse que “a pesquisa não parece válida”. “A reclamação com relação à velocidade continua, a quantidade de multas revolta.”

Como mostra a pesquisa, entretanto, os motoristas estão divididos: “Para andar de moto, ficou muito mais seguro agora do que era antes”, afirmou a empresária Lika Camargo, de 37 anos, que passa de moto diariamente pelas Marginais. “Mas, de carro, você não anda. Ficou pior”, disse seu companheiro, o médico Marcelo Viana, de 37, que dirige moto e carro.

A pesquisa mostra ainda que 90% dos paulistanos aprovam a política de faixas exclusivas de ônibus e que 59% querem mais ciclovias - a Prefeitura está instalado 400 quilômetros.

Bicicletas. A pesquisa do Ibope também mediu a interação dos paulistanos com as ciclovias. O levantamento apontou que, em 2007, 34% dos entrevistados afirmavam que não usariam bicicleta como meio de transporte na capital “de jeito nenhum”. O número vem caindo ao longo dos anos: em 2014, eram 24% e, em 2015, 13%. 

Entre os que não usam bicicleta para se locomover pela cidade, 44% do total declararam que usariam bike caso houvesse mais segurança, outros 18% se houvesse mais sinalização nas ruas e 13%, mais ciclovias (em 2014, esse número era 26%).

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