510 mortos

Deslizamento no Rio está entre os 10 piores registrados no mundo

Felipe Werneck, Marcelo Auler, Márcia Vieira, Pedro Dantas, Bruno Boghossian, Kelly Lima, Roberta Pennafort e Bruno Lousada, O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2011 | 00h00

À medida que equipes de resgate avançam por áreas devastadas pelas chuvas, a tragédia na região serrana do Rio ganha contornos mais e mais dramáticos. Até as 23h45 de ontem, as prefeituras contabilizavam 510 mortos em cinco municípios fluminenses: Teresópolis, Nova Friburgo, Sumidouro, Petrópolis e São José do Vale do Rio Preto. Há ainda 8.320 pessoas desalojadas (retiradas de casa) e 6.270 desabrigadas (que perderam as casas). Já é a segunda pior tragédia climática da história do Brasil e um dos dez maiores deslizamentos do mundo registrados desde 1900.

E o número de mortos pode crescer drasticamente. Em Teresópolis, a prefeitura não conseguiu chegar a três bairros muito castigados. E há cidades completamente isoladas, que já sofrem com falta de água e comida. São José do Vale do Rio Preto, por exemplo, está ilhada. Telefones não funcionam e a estrada de acesso está interrompida por quedas de barreira. Pelo menos 60 casas foram arrastadas pelas águas do Rio Preto, que corta a cidade. Não há sequer estimativas do número de mortos na cidade que ficou conhecida graças a uma música de Tom Jobim. Foi lá, às margens do Rio Preto, que ele compôs Águas de Março. A casa do filho de Tom, Paulo Jobim, também foi atingida pela enxurrada. Mas estava vazia na hora da tragédia. Outras cidades atingidas, onde há milhares de desalojados, foram Bom Jardim, Areal e Sapucaia.

A presidente Dilma Rousseff visitou Nova Friburgo ontem acompanhada de seis ministros e do governador Sérgio Cabral. Dilma anunciou "ações firmes". Mas a reconstrução das áreas atingidas será longa e exigirá recursos milionários. Só em Teresópolis o prefeito José Mário Sedlacek calcula que serão necessários pelo menos R$ 560 milhões. As Forças Armadas mandaram reforços. Mais de 20 caminhões com tropas do Exército e da Marinha chegaram ontem a Nova Friburgo, que continua sem luz, sem água e com crise de desabastecimento. Levas de moradores estão deixando suas casas.

Ontem, as equipes de resgate encontraram os corpos de dois dos três bombeiros soterrados quando tentavam retirar vítimas de escombros. No fim da tarde, a chuva voltou a cair forte e a Defesa Civil de Nova Friburgo recomendou parar as buscas diante da ameaça de novos deslizamentos.

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