500 eventos celebram união Brasil/Itália

Ação binacional, com Cristo misturado a Coliseu como símbolo, começa no dia 15 e incluirá de gastronomia a espetáculos de dança

RODRIGO BRANCATELLI, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h02

"Itália bela, mostra-te gentil, e os filhos teus não abandonar. Se não eles vão todos para o Brasil, e não se lembram mais de voltar." A música entoada pelos camponeses italianos no fim do século 19 resumia em poucas palavras e em poucos acordes uma epopeia que marcou profundamente os dois países, separados por 10 mil quilômetros de distância. De um lado, na Itália, o processo de reunificação pátria e as difíceis condições no pós-guerra. De outro, no Brasil, a expansão de um País que começava a se desenvolver com pernas próprias. Uma história de suor, risos, mãos falantes e panelas cheias que, no fim das contas, ajudou a moldar a identidade dos dois povos.

O resultado dessa aventura vai ganhar agora outra música, que está sendo gravada pelo ex-ministro Gilberto Gil em parceria com a cantora italiana Irene Grandi. Além de marcar os 130 anos de imigração, a canção vai servir de tema para o Momento Itália/Brasil, um megaevento de intercâmbio cultural, social e econômico entre os dois países, que começa no dia 15 de outubro e segue até junho de 2012. Serão quase 500 grandes atrações em pelo menos 11 cidades brasileiras, como Rio, São Paulo, Porto Alegre, Manaus, Belém, Salvador, Fortaleza, Brasília e Belo Horizonte, com programas que vão de mostras de design e cinema até amistoso entre as seleções de futebol e uma edição especial da São Paulo Fashion Week.

A exemplo do Ano da França no Brasil, que ocorreu em 2009, a ideia é que o Momento Itália/Brasil explore as mais diversas facetas da identidade italiana no País, a história e a memória, além de estreitar os laços que não estavam assim tão apertados depois do caso Cesare Battisti. O publicitário (e descendente de italianos) Washington Olivetto foi convocado para fazer a logomarca - uma junção do Coliseu de Roma com o Cristo Redentor carioca. Olivetto, por sua vez, chamou Gilberto Gil para criar a música tema do evento.

"Só no primeiro mês, rodaremos 19.345 quilômetros. É como percorrer os extremos da Itália por 16 vezes", diz o embaixador Gherardo La Francesca, animado com a ideia de percorrer o Brasil para divulgar o evento. "Imagina então depois de um ano, talvez desse para ir até a Lua. Na Itália, também vamos a Roma com alguns empresários para divulgar o lado econômico. O importante é mostrar que não só o Brasil foi afetado pela imigração italiana, a Itália também tem hoje traços brasileiros."

Programação. Os eventos serão divididos em 12 categorias, da arquitetura e tecnologia à enograstronomia e espetáculos de dança. A programação do Momento Itália/Brasil começa no Rio, dia 15, com uma festa de inauguração. O espetáculo ao ar livre na Cinelândia, no centro carioca, terá cem artistas brasileiros e italianos, entre acrobatas, dançarinos e atores, com concepção do artista italiano Valerio Festi - responsável pela abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno em Turim e pela chegada da tocha Olímpica na China.

No dia seguinte, dia 16, o Momento Itália/Brasil chega a São Paulo com uma exposição no Conjunto Nacional, um concerto na Sala São Paulo e uma bicicletada pelas ruas da capital. Outra iniciativa é um ônibus especial que fará um city tour por pontos ligados à colônia italiana na capital, chamado de "Conheça a Itália sem sair de São Paulo".

Ainda estão previstas uma mostra sobre o arquiteto Massimiliano Fuksas, exposições sobre Leonardo Da Vinci, Modigliani, e Michelangelo, seminários de negócios, festival de cinema de Federico Fellini, festas ao ar livre, óperas e até uma olimpíada entre pizzaiolos brasileiros e italianos.

Para o embaixador Gherardo La Francesca, a ideia do projeto é que o Momento Itália/Brasil seja como um bom prato de macarrão - "não precisa ser descendente para apreciar a gastronomia italiana. No fundo, todo mundo gosta". O Brasil tem hoje quase 30 milhões de descendentes de italianos. Entre os paulistanos, o sangue romano, calabrês, siciliano e de tantas origens corre nas veias de 6 milhões de pessoas, ou seja, mais da metade da população da capital. "A nossa história é muito antiga, desde Américo Vespúcio, passando pela família Matarazzo. Então, há muito o que celebrar. São laços que precisam ser sempre preservados."

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