5 corpos são retirados de Fusca soterrado

Vítimas eram da mesma família e tentaram escapar de deslizamentos na cidade fluminense de Sapucaia, que agora soma 18 mortos pelas cheias

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2012 | 03h03

As cinco pessoas que na última segunda-feira deixaram uma casa em Sapucaia, no centro-sul fluminense, e usavam um Fusca para se proteger dos deslizamentos de terra provocados pela chuva foram localizadas ontem à tarde. Todas estavam mortas dentro do veículo, que foi soterrado. Com o resgate dos corpos, sobe para 18 o número de mortos no município.

Para retirar os corpos, os bombeiros precisaram serrar o Fusca, onde estavam Francisco Edézio Lopes, de 46 anos, sua mulher, as duas filhas do casal, de 15 e 7 anos, e um primo. Um irmão de Francisco preferiu ficar dentro da casa e se salvou, pois o imóvel resistiu ao temporal e só uma parte da cozinha desmoronou. Outros oito imóveis desabaram. Até agora, foram localizados os corpos de 16 adultos (9 homens e 7 mulheres) e 2 crianças em Sapucaia.

Dezessete pessoas morreram no mesmo deslizamento, que soterrou oito imóveis e o Fusca, no distrito de Jamapará. Em outro bairro da cidade, um homem de 45 anos morreu quando a casa em que morava desabou.

A chuva da madrugada de ontem também causou transtornos em Campos, no norte do Estado, onde há 3.884 desalojados e 1.028 desabrigados, segundo a Defesa Civil. O alagamento atingiu inclusive a rua onde fica a casa da prefeita Rosinha Garotinho, ex-governadora do Rio.

Minas. Mais de 2,8 milhões de pessoas já foram afetadas pelas chuvas em 182 cidades mineiras, segundo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec). Ontem, chegava a 28 mil o número de desabrigados e desalojados no Estado, mais do que o dobro do contabilizado na terça-feira. Quinze pessoas morreram em Minas vítimas das tempestades desde o início do período chuvoso - 13 somente nos dez primeiros dias do ano - e 127 municípios já decretaram situação de emergência.

A situação pode piorar, já que são esperados novos temporais, principalmente na região sul e no Triângulo Mineiro, além de chuva moderada em outras regiões, incluindo a Zona da Mata. Nessa região fica a cidade de Além Paraíba, uma das mais castigadas e que, além de ter sido devastada por enchentes, ainda teme o rompimento de um dique, monitorado constantemente pela Defesa Civil.

Os bombeiros ainda buscam por Roseli do Nascimento, de 45 anos, que foi arrastada pela enxurrada em Além Paraíba e permanece desaparecida. A maior parte da infraestrutura urbana foi destruída e a cidade está sem água - é abastecida por caminhões-pipa.

O governo começou ontem a distribuir parte das 130 toneladas de donativos arrecadados por vários órgãos e entidades. / COLABOROU MARCELO PORTELA

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