460 coisas que amamos em SP

O mapa completo serve como uma espécie de guia e um convite para conhecer mais a cidade

O Estado de S. Paulo

24 de janeiro de 2014 | 23h50

Nós pedimos e os leitores atenderam: mostre o que você mais ama em São Paulo e nos ajude a fazer um mapa das 460 coisas que não podem desaparecer nas próximas décadas, mesmo que a cidade mude, seus rios sejam limpos e o metrô se expanda para além da imaginação. As respostas vieram em forma de histórias emocionantes ou divertidas, mas todas, de alguma forma, declaram seu amor à cidade.

Houve, claro, quem dissesse que não gosta de São Paulo e de seus mil defeitos. E nós sabemos que a metrópole pode, e muito, melhorar. Por isso, reunimos, nas páginas anteriores, propostas possíveis de serem colocadas em prática para que aqui se torne um lugar melhor para se viver. No entanto, não escondemos: nós amamos São Paulo e todas as partes que formam essa mistura única onde a vida acontece.

Nesta página está uma pequena amostra do que nossos leitores escolheram como o seu pedacinho preferido, sua lembrança mais feliz na cidade. O mapa completo serve como uma espécie de guia e um convite para que você conheça mais a cidade onde mora e, como nós, tenha orgulho de viver aqui.

Convento Santa Tereza

"Moro na Vila Mariana há mais de 40 anos e sempre vejo o Convento Santa Teresa e acho linda sua construção... Neste ano resolvi ir com uma amiga para fotografá-lo. É lindo, com uma capela muito bonita e jardins muito bem cuidados. Um cantinho de paz e de verde, em plena Avenida Jabaquara!". Gladys Sueli Russo

Pavilhão Fernandinho Simonsen

"Nasci em Ituiutaba (MG) em 1944. Aos 6 meses contraí paralisia infantil. Na pobreza e pouco conhecimento dos meus pais, até os 6 anos me arrastei no chão da chácara dos padres onde eles trabalhavam. Um dia, um padre de São Paulo me viu, condoído, e perguntou se meus pais aceitariam que eu fosse para um hospital em SP. Aceitaram. E assim, longe de todos que amava, fui internada no Pavilhão Fernandinho. Após dois anos, os médicos conseguiram me colocar em pé. Com órtese nas duas pernas, colete no tronco, muletas... Estava em pé. A vida seguiu: internada na AACD por 8 anos, depois acolhida por amigos. Me formei secretária, trabalhei com pessoas importantes e trouxe toda minha família para SP, me casei e tive um filho. Hoje, prestes a fazer 70 anos, confesso que jamais consegui passar por ali sem lançar um olhar emocionado - e muitas vezes molhado - para o Pavilhão, onde tudo começou...". Marleida Teresinha Borges

Baile do Caravelas

"Eu amo os bailes da terceira idade em Sampa. Em particular o Caravelas, na Penha. Foi ali, em 2 de fevereiro de 2008, que conheci Gislene, a minha outra verdadeira metade. Ela estava ali porque, por motivo de doença de seu cão, Bolinha, não pôde viajar para a casa de seus pais na praia, como fazia todos os anos. E foi ali que nasceu uma paixão fulminante, um relacionamento de quatro anos vividos intensamente, até que ela veio a falecer, em 2 de julho de 2012, vítima de um câncer de mama! E quando passo por ali, chego a ouvir a banda tocando ‘Besame Mucho’...". Paulo Chaves

Praça dos Correios

"O sono era bem pesado e eu fazia força para conseguir ficar com os olhos pelo menos semicerrados e olhar aquele poste preto com sua luz amarela e fraca. Tudo isso via com a cabeça apoiada no ombro do meu pai, enquanto andávamos, com minha mãe e meu irmão. Era a famosa Praça dos Correios. Parecia que São Paulo começava e terminava lá. Meus pais, migrantes do alto sertão de Pernambuco, aqui andavam alinhados, sempre arrumadinhos. Minha mãe com vestido estampado e meu pai de terno e bigodinho bem fininho. Moravam em SP havia uns 8 anos. Sempre se perdiam pelas ruas, pegavam ônibus errado, mas quando chegava na praça eu pensava: ‘aqui eles sabem onde estão...’ Nenhum lugar no mundo me marcou tanto na lembrança e no amor. Os passeios no colo dos meus pais com a visão desses postes tão nostálgicos hoje para mim... Eu devia ter 5 anos, mais ou menos, mas essa sensação de amor pela cidade onde nasci, nunca vou esquecer. Quando lembro sinto os olhos encherem d’água". Tania Freire

Praça do Porquinho

"Entre 1988 e 1990, a Praça do Porquinho, no Parque do Ibirapuera, foi o ponto de encontro da minha turma de colégio, sempre aos sábados e domingos. Tínhamos a certeza que sempre haveria um amigo nos esperando. Lá nos encontrávamos e decidíamos o que faríamos no dia: uma corrida ao redor do lago, um futebol nas quadras, ou apenas ficar batendo papo sentados no gramado". Fernando Soares

Solar da Marquesa de Santos.

"A casa da marquesa, que hoje é sede do Museu da Cidade de São Paulo, é a minha paixão desde que estudava Arquitetura. Posteriormente, foi lá onde dei, há quase 15 anos, o primeiro beijo na mulher que é hoje a minha esposa. E, para completar, acabei me tornando o biógrafo da Domitila de Casto, a Marquesa de Santos, a mais famosa proprietária do Solar da Roberto Simonsen, 136". Paulo Rezzutti

Piscina da casa modernista

"Nos anos 1990, a Casa Modernista, na Vila Mariana, ficou fechada e abandonada. Eu era estudante do ensino fundamental na Escola Estadual Lasar Segall, na rua de trás. Muitas vezes, eu matava aula, pulava o murro do parque junto com outros colegas e passávamos o dia lá dentro, principalmente na área da piscina. Alguns anos depois, o local recebeu o Grupo Escoteiro Tacaúnas, do qual fiz parte. Nessa mesma piscina, houve muitos jogos de escoteiros, palestras e atividades. Lembro também de ir passear algumas vezes com um namoradinho e ficar horas sentada nesses bancos lendo. Este local fez parte da minha vida, da minha história e espero que outras pessoas possam passar momentos tão bons quantos os que eu passei lá". Elaine Lanzoni

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