45% da Grande SP veio de outro Estado

Entre migrantes de 30 a 60 anos, baianos ainda são maioria (11%), seguidos por mineiros (8%), pernambucanos (7%) e paranaenses (4%)

FELIPE TAU, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2011 | 03h01

A Região Metropolitana de São Paulo é a segunda do País com mais moradores vindos de outros Estados: 45% da população com idade entre 30 e 60 anos. Só perde para o Distrito Federal, onde 75% das pessoas vieram de fora.

Os dados fazem parte de uma pesquisa inédita do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que levou em conta as dez maiores regiões metropolitanas do Brasil. Somadas, elas representam 30% de toda a população nacional.

A pesquisa foi feita com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2009, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com um dos responsáveis pelo estudo, o pesquisador Herton Ellery Araújo, a faixa etária de 30 a 60 anos foi escolhida por representar pessoas com maior estabilidade no emprego e menos probabilidade de mudar para outro Estado. "Isso contribui para termos um retrato mais fiel da realidade dessas populações", explica. Segundo ele, a intenção do levantamento foi verificar como está a qualidade de vida dos grupos migratórios.

De todos os migrantes nacionais presentes na Grande São Paulo dentro dessa faixa, os baianos são maioria (11% do total), com 901 mil pessoas. Em seguida vêm os mineiros (8%), os pernambucanos (7%), os paranaenses (4%) e os cearenses (3%). Estrangeiros representam 1% da população.

Segundo a professora da Faculdade de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC) Lúcia Borges, os números refletem um padrão histórico. "Os baianos tradicionalmente ficam em primeiro lugar no ranking", diz ela. "A diferença é que agora, em vez se concentrarem no centro da capital, estão indo para outras cidades da Região Metropolitana", observa.

Segundo Araújo, o tamanho da Bahia e suas desigualdades regionais explicam a presença dos migrantes baianos em São Paulo. "Eles vieram para cá na época da industrialização, a partir dos anos 1960, em busca de melhores condições de trabalho", observa. Em relação aos mineiros, que ocupam o segundo lugar no ranking, a explicação, além do tamanho do Estado, é a proximidade geográfica.

Araújo chama atenção para as atuais condições socioeconômicas dos nordestinos. "Embora os baianos e os nordestinos em geral sejam maioria entre os migrantes, eles ainda estão na base da pirâmide em termos de escolaridade e renda. O estudo procurou apontar essas desigualdades."

Entre os baianos, a proporção de pessoas com ensino superior completo é a menor entre as regiões analisadas: 3,1%, contra 24,3% dos paulistas. No caso dos demais Estados do Nordeste, o número não ultrapassa os 5%.

Quando o assunto é trabalho, a disparidade é semelhante. Estados do Nordeste possuem o menor número de empregadores em comparação a outros migrantes. Entre os Estados individualizados pela pesquisa, novamente os baianos ficam na lanterna, com 3,3%. Eles são, porém, os migrantes com maior número de empregados domésticos em relação à população: 21,1%.

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