447: França resgatará todos os corpos

Após segunda retirada com sucesso, Justiça resolve ampliar trabalho de remoção das vítimas do Air France; ministro diz que Brasil acompanha ações

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2011 | 00h00

A polícia francesa anunciou ontem, em Paris, que decidiu resgatar todos os corpos de vítimas do voo 447 que foram localizados até agora no fundo do Oceano Atlântico. A opção por trazer passageiros e tripulantes à superfície foi tomada depois que um segundo corpo foi recuperado, "com toda dignidade", pela manhã. Para efetuar os trabalhos, 12 novos especialistas serão enviados para a área de resgate.

Operações realizadas nas manhãs de quinta e sexta-feira permitiram resgatar corpos afivelados aos assentos. Também ficou claro que alguns objetos dispersos no solo, a 3,9 mil metros de profundidade, poderão ser trazidos à tona.

Os restos mortais passarão por coleta de amostras de DNA, na esperança de que possam ser identificados por exames laboratoriais. A polícia francesa diz ainda não ter certeza de que será bem-sucedida na iniciativa, mesmo com os meios científicos postos à disposição no caso. As amostras serão transportadas, juntamente com as duas caixas-pretas já localizadas, à cidade de Caiena, na Guiana Francesa, de onde seguirão para Paris.

Em nota divulgada ontem, a Associação de Familiares de Vítimas do Voo 447 havia reiterado o pedido para que todos os esforços fossem realizados pela recuperação dos corpos - falta a identificação de 176 das 228 vítimas. Ao Estado, Nelson Faria Marinho, presidente da entidade e um dos grandes defensores do resgate, demonstrou satisfação com a postura da polícia francesa. "É muito boa notícia que estou recebendo agora. É claro que ficamos satisfeitos com isso, porque a cultura brasileira pressupõe o sepultamento como fim da vida. Logo, é importante para as famílias recuperar os corpos", disse o militar aposentado, que já esteve 13 vezes na França para discutir o acidente.

Na manhã de ontem, o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, disse que, apesar de as buscas serem "de competência do Estado francês", está acompanhando os trabalhos. Ele reiterou que "os corpos que forem encontrados serão retirados". "Não sei as condições em que se encontram, mas as coisas vão acontecer naturalmente", disse.

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