447: achada cauda onde pode estar caixa-preta

No dia 21, barco vai recuperar destroços e corpos encontrados na semana passada

Andrei Netto / PARIS e Nataly Costa / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2011 | 00h00

Uma reunião com o Escritório de Investigação e Análise (BEA) e o governo da França deixou as famílias das vítimas do voo 447 da Air France entusiasmadas. Entre os destroços encontrados nas últimas buscas, que terminaram semana passada, as autoridades afirmaram ter localizado a cauda do Airbus A330-200. Essa é a parte do avião onde ficam as caixas-pretas, fundamentais na investigação do acidente que matou 228 pessoas em 31 de maio de 2009.

O BEA negou que as caixas já tenham sido encontradas. Quando isso acontecer, o escritório promete um anúncio oficial para as famílias. A nova expedição ao fundo do Oceano Atlântico está marcada para o dia 21 e vai recolher as peças e os corpos encontrados pelos robôs-submarinos nas últimas buscas, encerradas na semana passada. Um navio francês, o Ile-de-Sein, foi escolhido para o resgate.

As autoridades francesas também forneceram às famílias brasileiras, alemãs e francesas das vítimas do acidente mais informações sobre os destroços encontrados na etapa mais recente de buscas. Estiveram presentes na reunião o secretário de Estado de Transportes, Thierry Mariani, e o diretor do BEA, Jean-Paul Troadec.

Novas imagens dos destroços foram divulgadas, com mais detalhes. A imagem da cauda do avião causou alvoroço. "Há 99% de chances de as caixas-pretas do voo serem retiradas com a cauda", disse Nelson Marinho, presidente da Associação das Famílias de Vítimas do Voo 447 da Air France.

Demandas. Algumas reivindicações da associação estão encontrando resistência no governo francês. A primeira é a presença de um observador do Brasil na embarcação que vai coletar os destroços e corpos. "Foi estabelecido que o navio partirá sem representante das famílias a bordo a fim de não afetar os procedimentos judiciários", disse Mariani, durante a reunião.

Outro ponto de discórdia é a decisão de levar para a França os corpos e caixas-pretas, quando encontradas. "Pernambuco tem um Instituto Médico-Legal que poderia muito bem analisar o DNA dos corpos", disse Marinho. "As caixas-pretas têm de ser levadas para um país neutro. A França é fabricante do avião e acionista da Air France, portanto, é parcial nessa investigação."

Em nota, a Air France afirmou que "são as autoridades públicas francesas que têm total responsabilidade sobre as buscas e seus diversos desdobramentos".

As famílias das vítimas do voo 447 vão se reunir na próxima semana com a presidente Dilma Rousseff e pedir a intervenção do governo na investigação.

PONTOS-CHAVE

Tragédia

O Airbus caiu no meio do Atlântico enquanto fazia a rota Rio-Paris. Em quatro etapas de buscas, equipes encontraram alguns destroços, mas as caixas-pretas continuam sumidas.

Submersas

3,9 mil

metros é a profundidade em que estão as peças descobertas recentemente. Entre elas, há corpos e a cauda do avião.

Investigação

Na cauda estariam duas das quatro caixas-pretas. Elas ajudariam a comprovar ou descartar a principal tese da causa do acidente: de que os sensores de velocidade teriam congelado.

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