41 mortos, 115 mil desabrigados e verba só em 1 mês

Governo admite excesso de burocracia e promete tentar simplificar trâmite

Angela Lacerda, enviada especial União dos Palmares, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2010 | 00h00

Estrago. Palmares, na Zona da Mata, foi uma das mais afetadas

 

    Ainda sob o impacto das águas que destruíram pontes, prédios públicos, igrejas e ruas inteiras, as populações de municípios da Zona da Mata nordestina ainda não acreditam na nova realidade: destroços, lama, lixo, temor de doenças e desolação. Sem energia elétrica, sem abastecimento d"água, sem comunicação. Ontem, o número de mortos em Pernambuco e Alagoas subiu para 41 e o de desabrigados e desalojados passou de 115 mil.

Após refazer as contas, a Defesa Civil fala ainda em 607 pessoas desaparecidas. Em Brasília, o governo federal anunciou ontem que enviará R$ 100 milhões para os municípios. Foi possível liberar rapidamente R$ 50 milhões de uma rubrica de R$ 1,2 bilhão, criada por Medida Provisória neste mês, destinada a populações vitimadas por calamidades climáticas.

O governo federal ainda dispõe de outros R$ 50 milhões para gastos de emergência. Mas a segunda e mais importante parte da ajuda federal, que se destinará sobretudo à recuperação da infraestrutura destruída, vai demorar pelo menos um mês, porque a liberação depende do inventário dos estragos e da análise de uma complexa documentação. Isso inclui levantamento detalhado de edificações destruídas, como pontes, redes de energia, estradas, prédios públicos e habitações.

Entre a análise dos documentos e a liberação, a burocracia consome 30 dias ou mais, segundo a secretária nacional de Defesa Civil, Ivone Valente. Estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, atingidos por enchentes na virada de ano, estão com parcelas da ajuda atrasadas desde abril. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, criticou os prazos "excessivamente longos" e anunciou que o governo vai enviar projeto de lei ao Congresso, em 45 dias, para simplificar os trâmites. "Há uma morosidade grande, questões burocráticas que precisam ser revistas."

Terra arrasada. Enquanto isso, em Branquinha, Santana do Mundaú, União dos Palmares e São José da Laje, alguns dos municípios cortados por rios, cujas águas subiram na semana passada a níveis só comparáveis a uma histórica enchente ocorrida em 1969, a situação é de "terra arrasada". Abalada, a prefeita de Branquinha, Ana Renata da Purificação Moraes (PMDB), só consegue listar as perdas: as escolas, os postos de saúde, as bibliotecas, os computadores, os medicamentos. "Nada restou da parte funcional", lamentou. "Não tenho uma folha de papel para fazer uma ficha de um doente."

Lula. Dada a intensidade da tragédia, tendas do Exército serão montadas em algumas cidades em que não há sequer escolas ou ginásios para atender os desabrigados. A Força Nacional de Segurança Pública já está com 400 homens aquartelados à disposição dos Estados para ajudar no que for necessário.

A pedido da Presidência da República, que estabeleceu um comitê de crise, o Departamento de InfraEstrutura de Transportes (DNIT) aprovou R$ 60 milhões para reconstrução de duas pontes em Pernambuco e R$ 12 milhões para reconstrução de trechos danificados nas BRs 101, 104 e 316, em Alagoas. O Ministério de Minas e Energia aprovou um pacote de R$ 60 milhões para apoiar as concessionárias de energia em Alagoas e restabelecer o fornecimento de luz em dezenas de municípios isolados.

O presidente Lula deve dormir hoje no Recife, para iniciar amanhã uma visita às áreas atingidas. / COLABOROU VANNILDO MENDES

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