40 mil pessoas vão para blocos do centro neste fim de semana, calcula CET

Para organizadores, porém, festa será ainda maior; Vila Madalena e Sé concentram folia

Mônica Reolom, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2014 | 02h03

Os 67 blocos de carnaval que vão sair na cidade de São Paulo neste sábado, 22, e domingo, 23, devem atrair pelo menos 40 mil pessoas só no centro expandido. A estimativa é da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que montou um esquema especial de monitoramento do tráfego para a saída dos grupos.

O cálculo leva em conta duas regiões: Consolação, com expectativa de um público de 10 mil pessoas, e Vila Madalena, com 30 mil. Entretanto, os blocos Bangalafumenga e Sargento Pimenta, que desfilam no sábado, esperam, sozinhos, esse público. "Acho que estão estimando por baixo", afirma Alan Edelstein, da Oficina da Alegria. No domingo, o Confraria do Pasmado, tradicional bloco paulista, espera reunir 15 mil.

A quantidade de foliões é reflexo do número de blocos que vão circular no centro expandido neste fim de semana: dos 63 registrados na Prefeitura, 42 estarão nos bairros centrais. Enquanto as Subprefeituras de Pinheiros e Sé, juntas, receberão 32 blocos (sem contar os informais), Itaim Paulista, Brasilândia, Ermelino Matarazzo, Campo Limpo, Capela do Socorro e Vila Prudente terão um cada.

Tradição. Maria Aparecida Urbano, pesquisadora de samba e autora do livro Carnaval e Samba em Evolução na Cidade de São Paulo, destaca que essa preferência pelo centro é histórica. "Vários blocos saem há muitos anos na região central, como o Candinho e a Banda Redonda. A Vila Madalena também está acostumada com festas e já virou tradição no carnaval."

Para ela, os grupos nas regiões mais afastadas do centro devem surgir com o tempo. "Ainda não há bloco de referência na periferia, mas eles também vão ficar grandes."

Carolina Tosetto, organizadora de um bloco com pacientes do Centro de Assistência Psicossocial (Caps) de Cidade Ademar, na zona sul, reforça a importância de levar eventos culturais a essas regiões. "Temos baixíssimo acesso a serviços de cultura e de lazer. Quando promovemos algo, nos aproximamos da população."

Presidente do bloco estreante Banda das Cachorras, no Itaim Paulista, Emerson de Oliveira diz que um dos objetivos do grupo é abrir espaço para outros no ano que vem. "Nós somos o único do extremo da zona leste. As pessoas acreditam que o futuro dos blocos está no eixo do centro e desprezam que nós somos 4,5 milhões de habitantes." Segundo Oliveira, cinco blocos da região já se formaram para sair em 2015.

Para Maria Aparecida, essa é uma ótima oportunidade de tomar as ruas. "Neste ano, temos quase 200 blocos. O povo precisa de um carnaval mais descontraído e democrático. As famílias de São Paulo não têm muita diversão e quando aparece um bloco levando o sentido da festa para a rua, seria interessante que até as crianças participassem."

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