40 km de fios são furtados por mês; Marginal vira alvo

Vândalos também levam fiação do Ibirapuera e de ciclovia na zona leste; cobre dá lugar a material de menor valor para evitar furtos

O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2012 | 03h04

O Parque do Ibirapuera, a Nova Marginal do Tietê, os Túneis Ayrton Senna e Tribunal de Justiça, além da nova ciclovia ao lado do metrô na Radial Leste. Todos são monumentos e obras que só ficam livres dos ladrões quando estão às escuras. Mensalmente, os criminosos roubam em São Paulo 40 quilômetros de fios para derreter o cobre e vender no mercado paralelo.

Só nesses cinco pontos da cidade, o prejuízo causado pelos roubos de fios de cobre e luminárias passa de R$ 1,5 milhão.

No Parque do Ibirapuera foram roubados 6 km de fios. O novo projeto de iluminação havia sido inaugurado em maio do ano passado, tornando as lâmpadas quatro vezes mais potentes em 12 km de vias. As melhorias chegaram a aumentar o público noturno em 30%.

Outro alvo de abordagens dos assaltantes foi a Marginal do Tietê, cujas etapas de reforma foram executadas em 2010. Um dos pontos altos na Nova Marginal foi a iluminação, que recebeu 4.200 lâmpadas em 20 km.

Ida e volta. A iluminação atraiu ladrões, que roubaram os fios com marreta, se arriscando no meio das pistas. Só na Marginal foram 40 km de fios, o suficiente para ir e voltar toda a via. O prejuízo é estimado em R$ 800 mil.

"Quando o motorista vê as luzes das Marginais apagadas, pode ter certeza de que em 99% dos casos o motivo é o roubo de fio de cobre", disse Paulo Ernesto Strazzi, diretor do Departamento Técnico do Departamento de Iluminação Pública de São Paulo (Ilume). Strazzi reclama que a Prefeitura acaba sendo a principal atacada pelos moradores e diz que é difícil competir com os ladrões de fios e bens públicos.

A ciclovia da Radial Leste, que no ano passado foi reformada com 210 novas luminárias, teve 70 furtadas. A Ilume está repondo o equipamento, a valores que devem alcançar R$ 50 mil.

Os Túneis Ayrton Senna e Tribunal de Justiça exigiram da Prefeitura criatividade. Quando a nova iluminação foi inaugurada, nas paredes laterais, os ladrões passaram a frequentar as passarelas para tirar os fios. Chegavam a ficar horas esperando o melhor momento para roubá-los. Levaram 6 km.

Para consertar, era preciso pedir à Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) a interdição das vias. A solução foi mudar a fiação para o teto. "Hoje, se eles quiserem roubar, é preciso colocar uma escada no meio da pista, o que dificulta a vida, já que o risco de atropelamento é grande", afirmou Strazzi.

Parceria. A cooperação entre a Prefeitura e a polícia para coibir essas ações passou a se intensificar nos últimos anos. Desde 2007, houve uma drástica queda do total de fios furtados - de 150 km por mês para 40 km, uma redução de 60%.

Uma das causas dessa queda foi a substituição dos fios de cobre pelos fios bimetálicos, com menor interesse no mercado paralelo. A Prefeitura faz boletins de ocorrência para todos casos, e a Polícia Civil criou equipe especializada na investigação.

O secretário municipal de Serviços, Dráusio Barreto, afirmou que ainda se surpreende com o alto nível de vandalismo. "São consertos que causam enormes transtornos porque são feitos muitas vezes no meio de pistas de movimento elevado." / BRUNO PAES MANSO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.