Leonardo Soares/AE
Leonardo Soares/AE

4 em cada 10 temem batida se pararem na faixa

Insegurança quanto à distância do carro de trás mostra que os veículos não vêm respeitando os limites de velocidades em SP

Renato Machado e Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2011 | 00h00

Uma tentativa de elevar o respeito à faixa de segurança para evitar atropelamentos precisa em primeiro lugar reverter uma ideia preconcebida de muitos motoristas: que isso vai, por ironia, aumentar o número de acidentes. O estudo da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostra que o principal motivo alegado para não dar preferência aos pedestres (40,8% dos entrevistados) é que o carro que vem atrás está muito perto e pode haver uma batida se o da frente parar na área estabelecida.

A resposta foi dada quando motoristas foram indagados sobre possíveis desconfortos ao parar na faixa. A sensação de proximidade entre os carros mostra que, mais do que o respeito ao pedestre, o que não está sendo seguido também são distância e velocidade de segurança.

"Os motoristas precisam respeitar uma distância de segurança entre os veículos. E além disso é preciso ter consciência da necessidade de reduzir a velocidade ao se aproximar de qualquer cruzamento, porque são locais mais delicados, onde pode haver entrada de veículos, travessia de pedestres ou ciclistas", diz o gerente de Educação no Trânsito da CET, Luiz Carlos Néspoli.

Outros 15,6% dos entrevistados também culparam os veículos que seguem atrás por desrespeitarem a faixa de pedestres. No entanto, eles disseram que os condutores dos outros carros podem "buzinar ou achar ruim".

Uma grande parcela também disse que se sente desconfortável por parar pois pode atrapalhar viaturas e ambulâncias. Outros admitem que estão "atrasados". Chama também a atenção que 11,5% não sentem nenhum desconforto em relação aos pedestres - que podem ser os que respeitam os passantes ou, o que é mais grave, pessoas que simplesmente não se importam.

"Sim, está errado, mas aqui não temos a educação da Europa", tentou explicar o motorista de uma camionete Hylux prata na sexta-feira, após passar rápido pela faixa de pedestres na Rua Riachuelo, no centro, onde 15 pessoas esperavam para cruzar.

Polêmica. Quando a pergunta era em quais casos o motorista não dava prioridade ao pedestre, 26,9% citaram os casos em que o semáforo está verde para os automóveis. Essa resposta expõe uma polêmica em relação ao código de trânsito. O artigo 70 diz que os pedestres sobre a faixa terão prioridade, "exceto nos locais com sinalização semafórica". No entanto, não é especificado se o semáforo é o de pedestres ou para os veículos.

O entendimento da CET, por exemplo, é de que a exceção será apenas quando houver semáforo próprio para pedestres. Ou seja, um motorista deve parar quando um pedestre estiver sobre a faixa de segurança, mesmo que o semáforo para automóveis estiver verde - se não houver um específico para as pessoas a pé.

Mas esse cenário está longe de ser regra. Na sexta, o empacotador Edson Fiori, de 41 anos, esbravejava na frente da faixa. Por conta de um problema crônico na coluna, ele usa muletas e esperava havia três minutos no centro para que um carro parasse. "Será que vou esperar a tarde toda um cidadão educado parar por aqui? Isso é ridículo."

Os motoristas também reconhecem que não dão prioridades aos pedestres em casos de emergência (26%), em vias de fluxo rápido de veículos (24,3%) e à noite (12,3%).

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