Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

4ª cota de volume morto do Cantareira tem 40 bi de litros, diz Alckmin

Segundo governador, há reserva de água que pode ser utilizada em estação de Piracaia; em estudo, dessalinização é considerada cara

Edgar Maciel e Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2015 | 12h06

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), confirmou nesta quarta-feira, 11, a quarta cota do volume morto no Sistema Cantareira. Segundo o governador, a quarta "reserva técnica" tem volume estimado de 40 milhões de metros cúbicos (40 bilhões de litros), o que equivale a aproximadamente 4% da capacidade total do manancial - quando cheio.

"Na estação de Piracaia, na reserva de Cachoeira, se verificou que abaixo do chamado zero você ainda tem uma reserva de água que poderá ser utilizada, uma parte inclusive sem obras de engenharia e outra parte com obras", disse Alckmin. O governador não deu mais detalhes sobre o possível uso dessa quarta cota.

O volume morto do Sistema Cantareira possui um total de 485 bilhões de litros, porém a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) ainda não possui a capacidade de utilizar todo o volume disponível por motivos técnicos e operacionais.

Até agora, o governo já utilizou 182,5 bilhões da primeira cota. Neste momento, está em uso a segunda cota de 105 bilhões e há ainda uma terceira de 41 bilhões. A quarta cota anunciada pelo governador faz parte do montante restante, de 157 bilhões de litros.

Questionado sobre a possibilidade de um rodízio no fornecimento ser adiado por causa das chuvas recentes em São Paulo, Alckmin repetiu que o rodízio é uma decisão técnica da Sabesp e que não há definição sobre a adoção da medida, mas sinalizou que o corte de abastecimento será evitado enquanto for possível.

"Rodízio é consumir menos água. Se nós conseguirmos isto sem precisar fechar a torneira, é melhor", afirmou, argumentando que a medida do governo de diminuir o desperdício dando desconto na conta de água garantiu uma economia de 100 bilhões de litros nos últimos meses.
 
Alckmin aproveitou para anunciar "boas notícias". Mostrou o crescente índice de chuvas dos últimos dias em planilhas e comunicou que foram iniciadas nesta terça-feira, 10, as obras para interligar o Rio Guaió à Estação de Tratamento de Água (ETA) Suzano, na Grande São Paulo. A obra deve ficar pronta em maio, de acordo com o governador, e adicionar 1 m3/s à ETA de Suzano. Assim como as obras de interligação da Billings para o Sistema Alto Tietê, a interligação do Guaió é feita diretamente pela Sabesp, sem necessidade de licitação.
 
O governador confirmou ainda que a as obras da Billings devem começar ainda neste mês. A primeira entrega dessa obra deve adicionar 2 m³/s à mesma ETA de Suzano também até maio e, posteriormente, outros 2 m³/s, totalizando nesse conjunto de obras 5 m³/s.
 
Alckmin argumentou que as iniciativas serão importantes para aproveitar a capacidade da ETA que hoje é de tratar 15 m³/s, mas apenas 10,5 m³/s estão sendo tratados por causa da estiagem.
 
Dessalinização. Perguntado sobre a possibilidade de se tratar água do mar para consumo, Alckmin disse que está em estudo, mas que é uma alternativa cara para a região metropolitana. "É uma hipótese que o presidente da Sabesp está estudando. Se estivéssemos em beira-mar, seria bastante factível. O problema é, a 700 metros de altura, o custo que você vai ter", disse comentando também a alta nos preços de energia elétrica, que é um tema delicado para o governo federal.
 
O governador, no entanto, disse que o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, é "um craque" e que saberá avaliar a partir dos estudos se a dessalinização é uma alternativa viável. 

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