3G fez alerta de chuvas falhar no Rio

Das 20 sirenes instaladas em 12 comunidades de Teresópolis, quatro não tocaram; prefeito reconhece problema em sistema de conexão

HELOISA ARUTH STURM, TERESÓPOLIS, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2012 | 03h03

O sistema de alerta de Teresópolis, na região serrana do Rio, falhou durante a chuva de sexta-feira, quando cinco pessoas morreram e quase mil ficaram desalojadas. Das 20 sirenes espalhadas nas 12 comunidades em áreas de risco, quatro falharam por causa de pane na conexão 3G. Mesmo depois de ligadas, elas não tocaram, o que impossibilitou a retirada dos moradores. Outras seis sirenes, porém, não foram acionadas porque a água não atingiu o nível de risco.

O prefeito de Teresópolis, Arlei Rosa, reconheceu que houve dificuldade no acionamento de parte do sistema sonoro, implementado após a tragédia do ano passado, quando mais de 900 pessoas morreram. "O coronel Roberto Silva (secretário de Defesa Civil e Meio Ambiente da cidade) está preparando um relatório para me passar e a minha cobrança com ele é essa: o porquê de elas não terem sido acionadas", disse Rosa.

Silva atribuiu o problema à falha do sistema 3G, que teria impossibilitado o monitoramento remoto do índice pluviométrico nas regiões afetadas e o consequente acionamento dos alarmes. "Nenhum de nós quer que isso ocorra, mas a gente sabe que qualquer equipamento eletrônico pode falhar", disse. Silva informou ainda que o sistema será substituído por fibra ótica.

A força da chuva impediu o acionamento manual dos alarmes por moradores das áreas afetadas, que são voluntários dos Núcleos Comunitários de Defesa Civil (Nudocs). Nem mesmo o esforço das pessoas foi suficiente para garantir o funcionamento do sistema. "Meu filho estava com um amigo e andou pelas ruas com água no peito para conseguir abrir a caixa e soar o alarme, mas a chave que a Guarda Civil tinha dado para ele não funcionou", disse a funcionária pública Mônica Rocha, moradora do bairro Quinta Lebrão.

Das sirenes instaladas, não funcionaram aquelas localizadas nos bairros de Pimentel, Perpétuo e Fonte Santa. Revoltados com o não acionamento dos alarmes, os moradores da Fonte Santa chegaram a fechar a Rodovia Rio-Bahia durante um protesto na tarde de anteontem.

Indignação. Moradora do Fonte Santa há mais de 30 anos, Yolanda Rodrigues disse que o alarme soou somente durante o protesto de domingo, após um homem não identificado instalar uma peça em uma das sirenes. "Minha família mora no Rosário, lá tocou a sirene e todo mundo saiu das casas correndo. Se essa sirene tocasse, claro que eu não ia ficar aqui", afirmou.

A família da dona de casa Márcia Florêncio dos Santos teve de abandonar a residência pelo telhado para se salvar da enchente. Ela conta que a água avançou quase dois metros de altura. "Meu marido teve de mergulhar no lamaçal para pegar a escada que tinha caído e subir com meus dois filhos pequenos, de 1 e 8 anos de idade."

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