37 cidades paulistas têm nível 'epidêmico' de homicídios

Municípios registraram mais de 10 assassinatos por 100 mil habitantes no 1º bimestre; no ano passado, eram 27

DANIEL TRIELLI, TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

28 Março 2013 | 02h04

Dos 75 municípios do Estado de São Paulo com mais de 100 mil habitantes, 37 têm taxas de homicídio consideradas epidêmicas de acordo com o critério da Organização Mundial da Saúde (OMS). Fazem parte do grupo as cidades onde ocorreram mais de dez assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. No ano passado a lista tinha dez cidades a menos. Dez municípios deixaram a situação "epidêmica" e 20 entraram na lista neste ano.

Em média, o Estado teve alta de 15,1% no número de homicídios entre o primeiro bimestre de 2012 e de 2013. Foram 684 casos em janeiro e fevereiro do ano passado contra 787 neste ano.

Dezesseis municípios da Grande São Paulo estão na lista, ao lado de cidades do interior como Campinas, Bauru, Araçatuba e São José do Rio Preto. O maior índice foi registrado em Jacareí, no Vale do Paraíba: 40,4 homicídios por 100 mil habitantes. Para o secretário de Comunicação da cidade, Paulo Bicarato, a falta de policiais e problemas sociais contribuem para o crime chegar a níveis altos. Ele diz que a prefeitura incentiva programas sociais para jovens para tentar reverter esse quadro.

Em segundo lugar ficou Rio Claro (34,9), que no ano passado não estava nem na lista de municípios com "taxa epidêmica" (leia mais ao lado). Itapevi, na Grande São Paulo, teve o terceiro número mais alto (34,7).

Outros municípios que registraram índices altos também culparam a falta de policiais. As prefeituras de Ferraz de Vasconcelos, Franco da Rocha, Embu das Artes e Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, informaram que tomam medidas para tentar reduzir a criminalidade.

O aumento no número de homicídios pode estar relacionado a várias causas, segundo o especialista em segurança pública e privada Jorge Lordello. "Bolsões de pobreza, o acesso dos jovens a drogas e álcool cada vez mais cedo e a falta de investigação e punição contribuem para os homicídios subirem."

Procurada na terça-feira, a PM não se manifestou até a meia-noite de ontem. Levando em consideração dados de 2012, o Estado tem a menor taxa de homicídios do País: 11,5 assassinatos para 100 mil habitantes. Em Santa Catarina, a média é 11,8, em Minas, 18,8, e no Rio é 24,5.

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