36% mais multas foram aplicadas em apenas um ano

Em 3 anos, número de autuações dobrou; excesso de velocidade e desobediência ao rodízio continuam a ser as principais infrações

O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 03h03

O crescimento das multas aplicadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) foi de 36,4% em apenas um ano - 9,51 milhões em 2011, ante 6,97 milhões em 2010. E, mesmo em um ano em que a política de reduzir os limites de velocidade nas vias da capital foi intensificada, os radares foram novamente a grande ferramenta da Prefeitura para flagrar infrações de trânsito. De cada 10 multas aplicadas na cidade, 7 foram por radar. Como consequência, exceder o limite de velocidade e desobedecer o rodízio municipal de veículos continuaram a ser os principais motivos que levaram o paulistano a ser multado em 2011.

O crescimento do número de multas na capital paulista supera, em muito, o aumento do número de veículos registrados na cidade. Nos últimos três anos, a frota cresceu de 6,36 milhões para 7,18 milhões de veículos (12% a mais). No mesmo período, o número de multas mais do que dobrou: saltou de 4,6 milhões para 9,5 milhões - ou 106% de aumento. Pelo segundo ano seguido, a cidade teve mais multas aplicadas do que o número de carros registrados.

Indústria. A CET refuta as acusações - facilmente ouvidas nas ruas da cidade - de que o órgão é responsável por uma "indústria de multas". "Por determinação legal, todo o valor arrecadado com multas deve ser destinado ao Fundo Municipal de Desenvolvimento do Trânsito (FMDT), que tem por objetivo exclusivo financiar, expandir, aprimorar e investir em programas e projetos de desenvolvimento do trânsito no Município", diz nota enviada pela companhia.

"Do valor arrecadado, 5% são repassados automaticamente à União, a cada vez que uma multa é paga. Os recursos do FMDT são investidos em sinalização, treinamento dos agentes, programas de educação no trânsito, renovação da frota da CET, monitoramento e operação do trânsito, manutenção de semáforos, serviços e projetos de engenharia de tráfego, entre outros", completa o texto.

Atualmente, a cidade tem 576 radares fixos em funcionamento. Marronzinhos da CET responderam, no ano passado, por 18,8% das multas (1,79 milhão) e a Polícia Militar, por 8,3% (ou 785 mil multas).

Cada uma dessas milhões de multas se traduz em dor de cabeça para cada motorista da cidade. "Tomei multa por estar a 68 km/h em uma via de 60 km/h. Sem contar as multas do carro do meu pai, que está no meu nome, e eu não transferi", conta o empresário Vinícius Saldaña, de 33 anos, morador do Jardim Anália Franco (zona leste). Ele está com a habilitação suspensa por excesso de multas. "Eu recebi a carta de notificação (sobre a suspensão da CNH) e procurei um despachante. A carta só vence em 2014, então vamos ver no que vai dar", conta.

Educação. Para o professor de engenharia de trânsito Creso de Franco Peixoto, da Fundação Educacional Inaciana (FEI), o aumento expressivo das multas não significa, necessariamente, reflexo de uma eficiência maior da fiscalização. Para ele, é preciso discutir se as multas estão cumprindo sua ação educativa de evitar, por exemplo, que motoristas excedam o limite de velocidade e fiquem expostos a acidentes mais graves. "As cidades deveriam ter, na internet, uma relação de cada radar instalado e uma justificativa para sua existência. Com o passar do tempo, se ele se mostrasse eficiente, acidentes cairiam."/ BRUNO RIBEIRO

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