36 envolvidos em rede internacional de drogas são presos

Líderes do esquema que rendia R$ 47 mi por ano eram empresários em SP nos ramos de panificação, veículos e sementes

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2011 | 03h01

Mais de cem pessoas - entre elas dois empresários paulistas do ramo de panificação, comércio de veículos e venda de sementes - foram presas pela Polícia Federal por participar de uma rede de tráfico de drogas que movimentava R$ 47 milhões anuais. A quadrilha, desarticulada pela "Operação Semilla" (semente, em espanhol), comprava entorpecentes na Bolívia e no Paraguai para redistribuir no Brasil ou enviar para Europa ou África. Eles tinham ajuda de um integrante da máfia italiana.

Ontem, foram presas 36 pessoas, incluindo os dois líderes da quadrilha. A PF investigava o grupo havia um ano. Desde então, 106 pessoas foram presas em seis Estados. Os nomes dos acusados não foram divulgados.

A Justiça autorizou a apreensão de apartamentos de luxo, fazendas, 63 veículos e dois aviões usados para transportar a droga. A polícia ainda encontrou com integrantes do esquema pelo menos dez armas de uso restrito.

A quadrilha também tinha bolivianos, paraguaios, colombianos, africanos e europeus. Em um ano de investigações, foram apreendidos 5.210 quilos de maconha e 4.327 quilos de cocaína. A título de comparação, a Polícia Federal apreendeu no Brasil, em todo o ano passado, cerca de 10 mil quilos de cocaína.

Máfia. Em uma das ações da PF, um italiano da organização mafiosa Sacra Corona Unita, de Puglia, no sul da Itália, tentou enviar para a Europa 273 quilos de cocaína em vasos de plantas ornamentais. A droga estava no Porto de Itaguaí (RJ).

Em um dos casos foram apreendidos 650 quilos de cocaína (no valor de R$ 5 milhões) em um caminhão. Após uma semana o bando tinha se reagrupado.

Em outra situação, um avião desembarcou 450 quilos da droga na região de Ribeirão Preto, no interior paulista. Cerca de 320 quilos foram apreendidos em Sales Oliveira, de onde seguiriam para a capital. Estima-se que 250 quilos de cocaína eram remetidos à África por mês.

As empresas de panificação, comércio de veículos e venda de sementes pertencentes aos líderes do grupo eram de fachada. "Eles coordenavam tudo, mas não chegavam nem perto da droga", diz o delegado Ivo Roberto Costa da Silva, responsável pela operação.

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