30 segundos de TV fizeram sindicalista desistir de ocupação

Bastidores: Tiago Décimo

O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2012 | 03h01

Principal líder da greve na Bahia e alvo das escutas divulgadas anteontem, o presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), Marco Prisco, avaliou que os áudios haviam sido "vazados" para justificar a invasão do prédio da Assembleia pelo Exército. "A greve precisa continuar, mas não quero que ninguém morra", disse aos interlocutores próximos.

De acordo com um ex-amotinado, Prisco lembrou a Guerra de Canudos ao justificar a desistência da ocupação do prédio. "Tem muito pai de família aqui. A gente precisa parar agora, pode acontecer um massacre." Por isso, por volta da 1h de ontem, enviou uma equipe para negociar a desocupação do prédio com o Exército. As conversas duraram até o amanhecer. O principal entrave foi relativo à entrega do líder, que só admitiu ser retirado da Assembleia pela porta de trás, fora do alcance de fotógrafos e cinegrafistas.

Apesar do temor das lideranças do movimento grevista, um integrante do gabinete de gerenciamento da crise montado pelo governo baiano, que prefere não ser identificado, afirmou que não havia a intenção de invadir a Assembleia. "Nunca foi planejada uma ação nesse sentido."

De acordo com ele, a decisão de tornar públicas as gravações dos telefonemas - obtidas no domingo - foi tomada anteontem, por causa da iminência da paralisação da PM no Rio e da dificuldade em avançar nas negociações. "Com as gravações, ficou desconstruída a imagem de herói que o Prisco tinha com os manifestantes."

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