30 famílias ficam na rua após desabamento de galpão na Mooca

Teto de imóvel invadido na Zona Leste veio abaixo, deixando uma criança de dois anos com ferimentos leves

José Dacauaziliquá, do Jornal da Tarde,

01 de janeiro de 2008 | 16h55

Parte do teto de um galpão invadido desabou, na tarde desta terça-feira, 1º, na Rua Dom Bosco, no bairro da Mooca, deixando 30 famílias desabrigadas. Um menino de 2 anos sofreu ferimentos no rosto. Ele foi levado para o hospital, medicado e liberado. Técnicos da Prefeitura realizaram uma vistoria e interditaram o imóvel.   De acordo com os moradores, o galpão abandonado de uma indústria de têxtil foi invadido por um grupo de sem-teto. Já passaram pelo local mais de 50 famílias que dividiram o espaço e "ergueram" seus barracos.   Os moradores contaram que a sustentação do teto era feita por quatro vigas de madeira. Uma delas rompeu recentemente.   Por volta das 15h30 a parte central do teto veio abaixo. "Estava dormindo e acordei com o forte estrondo. Tentei escapar pelo banheiro e não consegui. Corri e deixei tudo o que tinha para trás", disse o pedreiro Aníbal do Espírito Santo.   Os moradores foram saindo aos poucos. O Corpo de Bombeiros foi avisado e sete equipes foram mandadas para o local, além de viaturas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Uma equipe da Defesa Civil ficou de prontidão.   "Na hora pensei que fossem fogos de artifício. Depois veio o clarão e tudo caiu em cima da gente. Tentei proteger o meu filho do jeito que deu", disse a mãe de Kauan, que pediu para não ser identificada.   O menino foi retirado pela mãe, que foi ajuda por moradores. O garoto estava com o rosto ensagüentado. Ele foi levado ao pronto-socorro do Hospital Municipal Dr Ignácio Proença de Gouveia, também na Zona Leste, onde foi medicado. "Meu filho está bem. Ele levou três pontos na testa e foi liberado", disse a mãe da vítima.   As pessoas foram para a rua e contaram com a ajuda de um grupo de moradores da região. "Providenciamos mamadeira para uma das crianças desabrigadas que chorava de fome e levei mais duas para almoçar na minha casa", disse a assessora Rita de Cássia Gama.   Interdição   A Polícia Militar isolou a área do galpão. Peritos do Instituto de Criminalística (IC) foram ao local para a realização da perícia. Uma engenheira da Subprefeitura da Sé analisou a estrutura e determinou que imóvel fosse interditado.   Segundo os funcionários da Prefeitura, uma assistente social iria realizar o cadastramento de todas as famílias, que seriam levadas para albergues.   Mas os moradores relutaram em sair da frente do galpão sem que levassem documentos, roupas e objetos pessoais. Houve um princípio de tumulto em frente ao portão, que foi controlado pela PM. Na manhã desta quarta-feira os moradores devem ser levados de volta ao galpão para retirar todos os seus objetos pessoais.   Texto ampliado às 22h15

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