27 cidades de SP vão ter médico de fora, incluindo cubanos

Entre os 701 municípios do País que receberão a 1ª leva de cubanos, 68% têm IDH baixo, e a maioria apresenta 20% da população em extrema pobreza

Lisandra Paraguassu e Victor Vieira,

22 de agosto de 2013 | 22h21

Vinte e sete cidades paulistas receberão 102 médicos, 55 brasileiros e 47 graduados fora do País (5% da demanda), na primeira fase do Programa Mais Médicos. O Ministério da Saúde não informou as nacionalidades, mas as Secretarias de Saúde de Arujá e Praia Grande confirmaram ao Estado que receberão profissionais cubanos. Russos, argentinos e espanhóis também estão na lista. Os brasileiros começam a trabalhar no dia 2 e os formados no exterior, no dia 16.

Essa lista não considera os 400 cubanos que vão chegar na próxima semana ao Brasil, conforme contrato assinado na última quarta-feira com a Organização Pan-americana de Saúde. Esses serão alocados em cidades que são o retrato da carência no País. Dentre as 701 escolhidas - incluindo as paulistas Embu-Guaçu, Pedreira e Santo Antônio da Posse -, que não foram citadas como possível escolha por nenhum inscrito no Mais Médicos, 68% têm Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo ou muito baixo e a maioria tem pelo menos 20% da população em extrema pobreza.

Os 400 são a primeira leva de 4 mil que vão trabalhar no País até o fim deste ano. O grupo supre menos de um quinto das necessidades apontadas por essas cidades ao Mais Médicos. Juntas, elas pediram 2.140 profissionais - e o ministério ainda estuda quais serão atendidas.

A maioria, 84%, fica nas Regiões Norte e Nordeste: são 121 no Piauí, 108 na Bahia e 90 no Maranhão. Os médicos estrangeiros que chegam neste fim de semana - não apenas os cubanos, mas outros 243 estrangeiros que fizeram inscrições individuais - começam na segunda-feira três semanas de treinamento em universidades brasileiras em oito capitais: Porto Alegre, São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife e Fortaleza.

 

Defesa. Nesta quinta-feira, 22, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, defendeu a importação dos médicos cubanos durante uma audiência na Câmara dos Deputados, em Brasília. "Essa decisão foi tomada considerando o melhor serviço possível, não tem uma motivação ideológica", afirmou.

O ministro também foi questionado se os contratos com os cubanos não preocupa. Patriota lembrou que tudo foi feito via Organização Pan-americana de Saúde, o que garante que os procedimentos são os melhores possíveis. "Se houver algum problema, tenho certeza que a Opas será a primeira a velar para que seja corrigido."

Já em São Paulo, em outro evento para explicar o programa, o secretário nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, rebateu as críticas de "trabalho escravo" de associações médicas e oposição e destacou que os cubanos se ofereceram para o trabalho e vão ganhar o mesmo que receberiam em seu país ou em missões no exterior. Mas, como o dinheiro será repassado ao governo cubano, não se sabe quanto cada profissional ganhará. "Daremos a mesma bolsa de R$ 10 mil concedida aos outros médicos", disse Barbosa. A moradia e a alimentação caberão ao município atendido.

 

Política. Considerada uma das plataformas políticas do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em sua pré-candidatura ao governo de São Paulo, a primeira etapa do Mais Médicos contemplará 8 das 67 cidades governadas pelo PT no Estado. Das 204 prefeituras tucanas, o programa atenderá somente 5.

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