JF Diorio/AE
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27 cidades de SP têm assassinato como epidemia

1/3 dos municípios com mais de 100 mil pessoas registrou violência em níveis alarmantes no primeiro semestre do ano

Bruno Paes Manso e William Cardoso, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2011 | 00h00

Entre as 69 cidades mais populosas do Estado de São Paulo, 27 estão acima da zona epidêmica de 10 homicídios por 100 mil habitantes, índice adotado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). As estatísticas criminais não levam em consideração municípios litorâneos, que contam com população flutuante.

Três cidades da Região Metropolitana lideram o ranking de assassinatos, com taxas acima de 21 homicídios por 100 mil habitantes. Embu das Artes ocupa a primeira posição.

O comandante da Guarda Civil da cidade, Dirceu Alves da Silva, atribui a liderança à proximidade com vizinhos que também apresentam números elevados de assassinatos, como os bairros de Jardim Ângela e do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo. "Também somos entrecortados por grandes vias, como a BR-116 e o Rodoanel. Muita gente vem desovar corpos por aqui e nossas taxas pioram."

Alves da Silva afirma que a cidade vem combatendo o problema com policiamento integrado, instalação de câmeras, melhoria da iluminação nos lugares mais perigosos e rígida fiscalização nas reclamações de barulho. "Já chegamos a ter 197 assassinatos em um ano. Foram 27 no primeiro semestre, mas esperamos fechar este ano abaixo dos 40."

No ranking de roubos, a liderança é de Diadema, que registrou no primeiro semestre 1.122 casos por 100 mil habitantes. Curiosamente, a cidade foi também a que teve maior queda nas taxas de assassinatos no período. No primeiro semestre do ano passado, houve 44 homicídios. Neste ano, despencou para 14 casos, o que resulta em uma taxa de 7,25 casos por 100 mil habitantes e a coloca no 50.° lugar.

O secretário de Defesa Social da cidade, Arquimedes Andrade, diz que o crescimento dos roubos se deve ao desenvolvimento local. "Com a queda dos homicídios e a melhoria na qualidade de vida, a cidade cresceu 10% ao ano, ganhou um shopping e atraiu empresas. Isso aumenta as oportunidades de roubo." Segundo ele, o rigor na fiscalização ainda coibiu homicídios.

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