26 presos eram levados a CDP. Chegaram 22

Motorista do furgão da secretaria diz que só deu pela falta dos detentos ao chegar a Pinheiros

Josmar Jozino, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2010 | 00h00

Após "surfarem" por 17 km sobre um furgão da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) na Marginal do Tietê, entre a Ponte Aricanduva e a entrada da Rodovia dos Bandeirantes, quatro presos pularam do caminhão e fugiram. O motorista do veículo, José Carlos de Almeida Franco, diz que só percebeu a falta dos detentos ao chegar ao Centro de Detenção Provisória 2 (CDP) de Pinheiros, na zona oeste.

A fuga aconteceu por volta das 14h20 de ontem. Policiais do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) voltavam do velório de um PM quando avistaram na pista expressa da Marginal do Tietê, próximo da Ponte Aricanduva, na zona leste, cinco presos no teto do furgão. Sem escolta, o que é obrigatório (leia texto acima), o veículo estava na pista expressa, sentido zona oeste.

O policial militar que dirigia a viatura do CPTran ligou a sirene, buzinou e deu sinal de luz para o motorista do furgão. Segundo ele, o funcionário da SAP acelerou o veículo. O PM tentou acompanhar o furgão pela pista local. Porém, na entrada da Rodovia dos Bandeirantes, não conseguiu seguir mais o caminhão.

Logo depois, voltou a ver o furgão, mas apenas um detento continuava sobre o teto do veículo. Neste momento, segundo os PMs do CPTran, o preso viu os policiais e entrou no compartimento. Os outros quatro já tinham fugido. Os PMs seguiram o furgão até o CDP 2 de Pinheiros. De acordo com eles, Franco, ao notar que faltavam quatro presos, disse frases desconexas.

O furgão saiu da Penitenciária José Parada Neto, em Guarulhos, na Grande SP, para levar 13 presos ao CDP 2 de Pinheiros e outros 13 para o CDP 3. O motorista estava com um agente penitenciário. Há suspeitas de que os detentos não estavam algemados e que chegaram ao teto do veículo pela saída de ar, que deveria estar trancada com cadeado. Segundo a PM, o agente Lara Sérgio de Pinheiro era o responsável pelo fechamento do compartimento. A SAP confirmou que o veículo com presos não tinha escolta da PM e classificou o episódio como "inaceitável, irregular e de natureza grave". A pasta disse que os foragidos seriam transferidos porque haviam ameaçado se rebelar.

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