Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

24 horas de música para várias tribos e idades

Programação terá de atrações clássicas a populares, além de ''figurinhas difíceis''

José Mauro Gnaspini, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2011 | 00h00

Há muito a se descobrir na programação musical da Virada Cultural neste fim de semana. Para além dos nomes mais visíveis, como Rita Lee, Paulinho da Viola ou Erasmo Carlos, e mesmo além de ícones, como Edgar Winter, The Misfits ou Skatalites, há uma subjacência rica de espetáculos pouco notados, mas que, para públicos específicos, terão grande repercussão.

Alguns grandes nomes são figurinhas difíceis. Mesmo de brasileiros, como Dom Salvador, que reuniu o lendário grupo Abolição e trará à frente Toni Tornado em repertório comum a ambos do disco de 1972. Fred Wesley and The New JBs e Ivan Nevile"s Dumpstaphunk complementam o line up black da Praça da República.

No palco da Rua Libero Badaró, emoldurado pelo Mosteiro de São Bento, outros shows raros serão apresentados, tendo como carro-chefe a aparição do brasileiro também radicado no exterior Eumir Deodato. Antes sobe ao palco o legendário organista Brian Auger, inglês que acompanhou nomes como Hendrix e Led Zeppelin, e o saxofonista Ronnie Cubber. No domingo, o italiano Boris Salvodeli se apresenta com sua orquestra de samplers e o grupo setentista Soft Machine (Legacy) será precedido pelo grupo Tohpati Ethnomission da Indonésia, com fortes influências de Frank Zappa. Zappa, por sua, vez aparecerá no palco dedicado às orquestras, em interpretação de Yellow Shark pela Orquestra de Câmara da USP + Scrutinizer, mesmo local onde se apresentará a Orquestra Experimental de Repertório, tendo Sepultura de convidado.

Todos os gostos. Contra todos os prognósticos, a Virada Cultural torna possível um encontro anual, festivo, democrático, público e transversal, que reúne todos os tipos da cidade, diferentes tribos e idades. Esse exercício de encontro comunitário é fundamental para a saúde da sociedade e se fez viável em uma cidade colossal por meio da cultura. O programa, portanto, não se resume à erudição dos palcos mais sofisticados e traz nomes populares e igualmente raros, como Sandro Becker ou Genival Lacerda, Fernando Mendes ou Banda Mel. É estratégia conhecida da Virada Cultural promover grandes shows musicais como forma de atrair a massa e, para multidões já reunidas, apresentar outras linguagens artísticas em palcos, ruas ou suspensos no ar. Com a pretensão de experimentar esse choque de linguagens, será encenada ao ar livre a ópera Pagliacci, com Sinfônica Municipal e Coral Lírico, acompanhados pela Visualfarm, Acrobáticos Fratelli e Pia Fraus.

Será ainda uma oportunidade única de ver nomes que pouco se apresentam, como Riachão, Denise Assunção, Lucinha Turnbull, Di Melo ou Cor do Som. Uma última dica? Los Straitjackets no Arouche, surf music com direito a máscaras de luta livre. É a Virada dos mascarados.

É COORDENADOR DA 7.ª VIRADA CULTURAL DE SP

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