22 haitianos são detidos na fronteira com a Bolívia

Eles têm passaporte, mas entraram ilegalmente no Brasil e PF suspeita que sejam aliciados por traficantes

João Naves de Oliveira, especial para o Estado, O Estadao de S.Paulo

19 Março 2010 | 00h00

CAMPO GRANDE

Corumbá, em Mato Grosso do Sul, fronteira com a Bolívia, já é rota de haitianos que estão deixando seu país, devastado por um terremoto em janeiro. Ontem, sete foram presos em dois táxis brasileiros, numa viagem de 70 km, de Corumbá até Miranda (MS). Anteontem, houve a prisão de oito que estavam em um hotel de Corumbá e sete, também em um hotel, em Miranda. Todos estão em situação ilegal no Brasil. Eles têm passaporte, mas no documento não consta registro de entrada no País.

Com o grupo preso em Corumbá foram encontradas mercadorias contrabandeadas. A Polícia Federal também suspeita que os haitianos estejam sendo aliciados por traficantes de cocaína.

Do Haiti, eles viajam de avião ao Panamá e seguem com registros de entrada no Peru, de onde chegam à Bolívia e, por fim, Corumbá. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, que fez a apreensão dos grupos que viajavam de táxi, o valor cobrado pelos taxistas foi de US$ 200, considerado excessivo.

Benide Polissaint, de 19 anos, uma das haitianas presas em Miranda e levadas para a Superintendência da Polícia Federal em Campo Grande, nega o aliciamento. Ela explicou ter viajado sozinha de Porto Príncipe até São Domingos, onde encontrou outros haitianos. Eles viajaram para o Panamá, Peru, Bolívia e chegaram a Corumbá. "No Haiti não há mais condições de sobrevivência", disse.

Os haitianos foram levados para o Centro de Triagem do Migrante (Cetremi). Segundo a delegada da PF Eliane Arôcha de Oliveira, os haitianos serão multados em R$ 163 . Eles têm três dias para deixar o País, caso contrário, serão deportados para a Bolívia, onde têm permissão para ficar até dia 27.

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