21 ao vivo

Estadão.edu recria ao vivo com profissionais de ponta seção que propõe reflexão sobre carreira

, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2010 | 00h00

Entre os dias 16 e 18 de junho, o Estadão.edu recriou na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, a seção "Coisas que Eu Queria Saber aos 21". Cinco profissionais falaram sobre suas trajetórias acadêmicas e profissionais e responderam a questões do público. O evento foi o segundo da série Estadão&Cultura.

No primeiro debate, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca e a chef Ana Soares tranquilizaram indecisos. Falaram de angústia e acaso na definição de suas trajetórias.

O segundo dia "opôs" o escritor Milton Hatoum e a executiva Denise Damiani. Denise descreveu uma carreira movido a precocidade. Hatoum fez o elogio do amadurecimento.

Biólogo, ex-empresário e ex-diretor de Novos Negócios do Grupo Votorantim, Fernando Reinach falou de cátedra sobre as várias ocupações possíveis na vida profissional, que independem da graduação.

Eduardo Giannetti

Economista

Não aproveitei o meu curso de Economia, detestava aquela abordagem técnica. Isso deixou uma grave deficiência em minha formação, pela qual paguei caro.

Fiz Ciências Sociais para aprender marxismo. Inclusive militei num grupo trotskista em plena ditadura. Foi assim que passei boa parte de minha juventude.

Passei um mês fazendo estágio na Nigéria. Foi uma experiência que mudou minha perspectiva de Brasil, de mim mesmo e até da condição humana.

Aprendi a gostar de estudar por conta própria nos anos que passei em Cambridge. A única coisa que eu queria era ler tudo que eu

pudesse naquelas bibliotecas.

Ana Soares

Chef de cozinha

Minha família era carinhosa e a mesa lá de casa vivia cheia, com minha avó na cozinha. As mulheres eram vistas como rainhas desse processo de fazer culinário.

Fiz faculdade de Arquitetura para colocar em prática minha sensibilidade. Não fui permanentemente feliz. Tinha uma inquietação que percorreu toda a minha vida.

Foi em Paris que pensei, pela primeira vez, na possibilidade de ser cozinheira, porque lá essa é uma profissão valorizada e respeitada pela sociedade.

Seria uma grande arquiteta hoje, tenho certeza. Fiz projetos ótimos, trabalhei com Cândido Malta. Mas com muito sofrimento. Hoje em dia já resolvi alguns problemas.

Milton Hatoum

Escritor

Até que um dia, você dança o seu ritmo. Você pode tropeçar também. Mas você vai dançando e tentando encontrar o seu ritmo e a sua voz.

Não me lembro de ter sido precoce em nada. Fui cantor, na verdade, aos 14 anos. Só publiquei meu primeiro romance aos 37, o que é incomum para quem escreve.

Para escrever, é preciso ralar, se entregar de corpo e alma à vida e à leitura. Ler, de fato, os grandes romances, os grandes livros. Eu comecei jovem, sem pretensão

Fazia faculdade de Arquitetura, mas não queria ser arquiteto. O meu sonho era sair do Brasil, porque achava que não conseguiria ser escritor se continuasse aqui.

Denise Damiani

Executiva

Minha família dizia: "Você não precisa fazer tudo isso." Eu falava: "Eu vou para a frente."Acho que eu posso fazer sempre mais. Estou sempre desafiando o meu limite.

Hoje, acho que precocidade não é bom. Com meus filhos, eu faço tudo ao contrário. Para que eles possam curtir tudo no momento certo.

Queria estudar Computação, mas o curso não existia naquela época. Fiz engenharia. Eram eu e uma outra menina, chinesa, num grupo de 700 pessoas.

Viajar e falar línguas foram diferenciais em minha vida. Comecei a estudar inglês aos 7 anos. Hoje falo cinco línguas, das quais quatro eu já sabia aos 14.

Fernando Reinach

Biólogo

Isso é interessante para o pessoal jovem. Tem que ousar. E vai para a cabeça logo... O pior que pode acontecer é levar um não. Isso aconteceu comigo.

O mundo está mudando. Não é mais aquela coisa da Idade Média, do aprendiz. (...) Hoje o que você faz e estuda ficou muito desconectado.

Quem aprendeu na escola a fazer raiz quadrada? E quem faz a raiz quadrada no trabalho? Todo mundo aprendeu, mas não usa.

Acho legal, para quem pode, mudar, pensar na vida em ciclos. Correr certos riscos de mudança. Eu gosto desse pensamento.

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