2044. O espaço dos mais velhos

Proporção de pessoas com mais de 60 anos vai ser de 27%, mais que o dobro da atual

O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2014 | 23h50

Daqui a três décadas, a juventude paulistana, que hoje ganha destaque promovendo protestos e "rolezinhos", terá de dividir - ou até ceder - o protagonismo da cidade com outro grupo. Em 2044, os idosos deverão roubar a cena, afinal, vão representar nada menos do que 27% da população paulistana, mais do que o dobro do índice registrado hoje. O envelhecimento da população e a queda no número de nascimentos vai marcar os anos 2040 com um fato que há algumas décadas parecia impossível: a população do município de São Paulo vai começar a diminuir.

Projeções feitas pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), a pedido do Estado, mostram que, dos 12,3 milhões de habitantes que São Paulo terá em 2044, 3,3 milhões terão 60 anos ou mais de idade, o equivalente a 27,1% do total. Hoje, os idosos representam 13% da população de 11,5 milhões. Na outra ponta, o porcentual de jovens de até 15 anos passará dos atuais 19,7% para 14,8% em 2044. A inversão entre os números de jovens e idosos deverá ocorrer perto de 2030 e vai se acentuar na década seguinte.

"A queda nas taxas de fecundidade, o aumento da expectativa de vida e a diminuição da migração são três fatores que provocam o envelhecimento da população. Todos eles estão ocorrendo na cidade de São Paulo", diz Bernadette Waldvogel, demógrafa e gerente de indicadores e estudos populacionais da Fundação Seade. Segundo a pesquisadora, a taxa de fecundidade necessária para a reposição da população é de 2,1 filhos por mulher. "Hoje, a taxa de São Paulo é de 1,7 e, até 2050 cairá um pouco mais, para 1,6."

Bernadette aposta que o envelhecimento previsto para 2044 não chegará a afetar de forma preocupante o mercado de trabalho. "Mesmo com menos jovens entrando no mercado, você vai ter mais gente permanecendo por mais tempo, porque as pessoas estão vivendo mais. A questão que será realmente preocupante é a saúde. A demanda pelo serviço será muito maior."

Para a pesquisadora, embora os governos já estejam pensando em mais políticas públicas para os idosos, muitas adaptações terão de ser feitas na cidade para que esse grupo tenha qualidade de vida. "De alguma forma, o poder público está se ajustando a isso. As academias ao ar livre são um exemplo. No entanto, ainda temos calçadas perigosas. O tempo do semáforo dos pedestres, por exemplo, poderá ser considerado curto demais."

Declínio. É também na década de 2040 que a cidade de São Paulo começará a viver um declínio no número de habitantes. A população atingirá seu ápice em 2044, com 12,3 milhões. A partir daí, começa a cair. Uma década depois, o número estará em 12,1 milhões, segundo as projeções da Fundação Seade.

A migração, tão intensa até a década de 1970, será um dos fatores determinantes para a queda. "Embora ainda tenha muita gente chegando a São Paulo, o número de pessoas que saem é superior", afirma Bernadette.

Para Rovena Negreiros, diretora de Planejamento da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), a cidade deve aproveitar o chamado "bônus demográfico" (quando a parte mais significativa da população está em idade economicamente ativa) para reavaliar suas prioridades. "Muitas das políticas deixam de ser pressionadas. Se as crianças pararem de nascer, não vai ter demanda para creche, por exemplo. A política, então, pode ser revertida para acolhimento do idoso."

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