2014: Dilma vai dar R$ 1 de cada R$ 6 que Haddad terá

Nos 4 anos de Kassab, verba federal usada foi de R$ 6,3 bi, enquanto petista espera transferência de R$ 8,6 bi somente no próximo ano

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2013 | 02h01

As verbas federais ganharam importância inédita do orçamento da Prefeitura de São Paulo do ano que vem. A previsão de repasses da União para 2014 é mais que o dobro deste ano. Passa de R$ 3,9 bilhões para R$ 8,6 bilhões, em pleno ano em que a presidente Dilma Rousseff (PT) tenta a reeleição.

A participação no orçamento também cresce. Enquanto no valor aprovado para 2013 as transferências da União representavam 9,2% dos R$ 42 bilhões aprovados, no ano que vem os repasses representam 17% do orçamento de R$ 50,7 bilhões (R$ 1 de cada R$ 6).

No último ano da gestão de Gilberto Kassab (PSD), a participação do governo federal no orçamento paulistano era ainda menor. O orçamento aprovado pela Câmara foi de R$ 38,7 bilhões e a verba federal orçada que consta no site de transparência da Prefeitura é de R$ 2,6 bilhões. Isso representa apenas 6,1% do orçamento da cidade.

Nos anos seguintes da gestão de Fernando Haddad (PT) também há previsão de altas somas. Em 2015, estão previstos R$ 7,6 bilhões, de um orçamento estimado de R$ 51 bilhões. Em 2016, último da gestão Haddad, o orçamento da cidade deve subir para a casa dos R$ 55 bilhões e os repasses do governo federal ficarão em R$ 7,9 bilhões.

Nos quatro anos de Kassab, as verbas federal previstas foram de R$ 9,4 bilhões. No entanto, nem esse valor foi gasto na cidade. De acordo com dados atualizados do sistema da Prefeitura, foram liquidados R$ 6,3 bilhões de verbas federais de 2009 a 2012. Contando com o valor estimado para este ano, Haddad terá R$ 28 bilhões em transferências federais, três vezes mais do que Kassab conseguiu.

Para o cientista político Marco Antonio Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas, o aumento de recursos acontece tanto por maior entrosamento entre governos do mesmo partido quanto pelo fato de que a gestão anterior não aderiu a alguns programas federais. "A Prefeitura de São Paulo não estava inscrita no Minha Casa Minha Vida", exemplifica Teixeira. Ele admite também que, por se tratarem de aliados, a boa relação remove barreiras para a obtenção das verbas.

Programas. Além do programa de habitação, há outros aos quais a administração Haddad pretende aderir. Entre eles, está o "Crack, É Possível Vencer", as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), entre outros. Um dos artifícios da equipe do atual prefeito é já criar os projetos nos moldes exigidos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O repasse recorde para o ano que vem pode ajudar a presidente a lidar com a dificuldade do PT em vencer as eleições na cidade de São Paulo. "Mas, do ponto de vista da visibilidade, os repasses federais não são muito notados. Há várias estradas que têm dinheiro federal, como o Rodoanel, e há pouca visibilidade", diz. Teixeira Segundo ele, o que dá mais retorno político continua sendo mesmo os programas de transferência de renda.

Imagem. Já para o prefeito Haddad o caminhão de dinheiro da União pode fazer muito bem. Um exemplo disso é a cidade do Rio de Janeiro, onde Eduardo Paes (PMDB) ganha dividendos políticos por causa dos repasses e parceria com o governo federal. Antes de ter sua popularidade atingida e virar alvo principal de manifestantes, o governador Sérgio Cabral (PMDB) também ganhou popularidade às custas do então presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT).

Apesar do dinheiro previsto, o governo federal ainda não atendeu a uma das principais reivindicações do prefeito, que é a renegociação da dívida municipal. Para o próximo ano, a previsão é de que a cidade gaste 5,8 bilhões com dívidas e precatórios. Com a renegociação da dívida, o plano da Prefeitura é recuperar o crédito para investir.

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