''20 das 90 casas viraram entulho''

Sérgio Bruni, VICE-REITOR DA PUC-RJ

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2011 | 00h00

Sérgio Bruni mora em Teresópolis e relata as primeiras horas da segunda maior catástrofe natural da história do País:

"No início era um temporal muito forte. Mas aquela barulheira ficou grande demais, maior do que todas as experiências que tive com trovões. As árvores despencavam com raiz e tudo na enxurrada. Estava com meu filho, Tito, de 9 anos, e resolvi esperar o dia amanhecer para ver o que faríamos, pois já não havia mais água, luz nem telefone. Por volta das 6h, tentamos caminhar até a estrada vicinal, mas paramos em uma cratera. Minha casa tem 350m2 e fica em um terreno de 10 mil m2, em um condomínio. O muro de contenção feito de concreto e vergalhões de ferro, com 60 m de largura por 4 m de altura, desapareceu. Pelo menos 20 das 90 casas viraram um monte de entulho e a maior parte das pessoas que estavam nelas morreu. O lago do condomínio, que tem cerca de 600 m de comprimento por 200 m de largura, virou um aterro. Havia carros embicados no lamaçal.

Depois de uma hora de mato e chuva fina, chegamos à escola municipal de Santa Rita, que é o nome daquela localidade. Ali já havia um grupo de desabrigados que ajudava no resgate dos mortos. Retiravam os corpos das casas e os estiravam na rua para que depois fossem recolhidos. Por volta das 11h, eu, meu filho e um grupo de 20 pessoas, a maioria crianças, saímos em direção a uma estrada.

Foram mais de três horas caminhando. Para levar os incapacitados, improvisamos macas com os carrinhos de mão que encontramos na escola. A experiência com aqueles sobreviventes é difícil de transmitir: havia uma senhora de 80 anos no grupo, que perdeu filho, nora e neto, e caminhava estoicamente, em silêncio. Não tenho ideia de quando vou voltar."

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