Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

2 são mortos em prédio da Oscar Freire

Empregada encontrou de manhã os corpos de modelo e de analista de sistemas; vizinhos ouviram barulho de móveis e janelas batendo

William Cardoso, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2011 | 00h00

O analista de sistemas Eugênio Bozola, de 52 anos, foi assassinado na madrugada de ontem no apartamento onde vivia na Rua Oscar Freire, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. No local, também foi encontrado morto o modelo Murilo Rezende da Silva, de 21 anos, Mister Piauí 2011. As vítimas foram esfaqueadas e quem cometeu o crime fugiu levando o carro de Bozola, um Honda Civic prata 2008. A polícia investiga as circunstâncias do duplo homicídio.

Bozola foi encontrado na cozinha, por volta das 9h, pela diarista Neide Ferreira, de 46 anos, que tinha a chave do local. Ele estava com calça social preta e camisa. Aos gritos, ela avisou o porteiro, que chamou a PM. Dentro do apartamento, os policiais acharam em um dos quartos o corpo de Silva, que estava com a cabeça coberta com um saco plástico, vestindo uma bermuda e camiseta de manga longa.

A diarista trabalhava para o analista de sistemas todas as terças e sextas-feiras havia 20 anos. Neide afirmou à polícia que Silva passou a morar no local havia pelo menos quatro meses. Sexto colocado no concurso Mister Brasil 2011, segundo os organizadores, ele sempre demonstrou ser uma pessoa de "caráter irretocável, admirado por todos". O modelo mineiro teria se mudado a convite de Bozola, que é irmão do presidente da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), Célio Bozola.

Célio compareceu no início da tarde de ontem ao 14.º Distrito Policial (Pinheiros) para obter mais informações sobre o caso. Ele não se manifestou sobre o duplo assassinato.

Barulho. Vizinhos dizem que ouviram barulho - equivalente a uma festa de aniversário - vindo do apartamento de Bozola -, a partir das 21 horas. Seria algo bastante comum no prédio, que conta com diversas repúblicas estudantis e tem como moradores também enfermeiros, médicos e trabalhadores do setor de saúde.

Por volta de meia-noite, o barulho persistia no sexto andar, onde morava Bozola. Uma moradora do quinto andar ouviu ruído de móveis e janelas batendo. Ela disse que, incomodada, soltou um palavrão, que foi respondido na sequência. Depois disso, afirma que foi dormir e não ouviu mais nada.

O consultor de moda Claudio Vaz, de 44 anos, disse que viu Bozola no hall de entrada do prédio, por volta das 20h, e ele estaria sozinho naquele momento. Segundo Vaz, que mora no nono andar há 12 anos, o vizinho era uma pessoa bastante tranquila e não havia queixas em relação a ele. "Saíamos para fazer caminhada juntos. É muito revoltante", afirmou. Vaz disse que não conhecia Silva.

Investigação. O delegado plantonista Paulo Roberto Nascimento de Oliveira foi um dos primeiros a chegar ao local e afirma que havia sinais de luta corporal por todo o apartamento, com marcas de sangue nas paredes e no chão. Na cena do crime, a polícia encontrou também objetos quebrados, como um cinzeiro jogado no piso.

Segundo Oliveira, aparentemente nada foi levado do lugar e, por isso, o caso foi registrado como homicídio, e não como latrocínio (roubo que termina com a morte da vítima). "Computador, televisão, estava tudo lá", disse. O carro foi usado apenas como meio para a fuga. Ele afirma também que não dá para descartar a presença de uma quarta pessoa no local.

No apartamento, havia a inscrição CV, possivelmente deixada pelo responsável pelas mortes. A polícia, porém, não tem indícios de que o crime tenha qualquer relação com a facção criminosa Comando Vermelho, que atua no Rio de Janeiro. Seria apenas uma "cortina de fumaça" para confundir os policiais. O caso será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

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