2 anos após ocupação, Alemão vira cenário de novela e de turismo

Conjunto de 15 favelas passa por processo de urbanização; só do PAC são R$ 911 milhões em obras e serviços básicos

HELOISA ARUTH STURM / RIO, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2012 | 02h02

Pedro (nome fictício), de 12 anos, lembra bem do dia 26 de novembro de 2010, quando 1,5 mil agentes de segurança avançaram em direção ao morro onde mora para iniciar a ocupação do Complexo do Alemão. "Fiquei apavorado", conta. Um dia antes, militares do Exército, da Marinha e policiais civis, militares e federais já haviam retomado o território da Vila Cruzeiro, favela vizinha.

Pedro estava preocupado com o primo, traficante que fugiu da favela durante a operação policial. "Minha mãe falava para ele sair dessa vida, mas não adiantava. A gente se reunia em casa e ficava orando", diz o adolescente. Desde então, muita coisa mudou nesse conjunto de 15 favelas da zona norte do Rio.

Atualmente, a área passa por um intenso processo de urbanização. Os governos federal, estadual e municipal estão investindo R$ 911 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em obras e serviços básicos de saneamento, saúde e educação para a população de 60 mil moradores. O lugar, que já foi quartel-general do Comando Vermelho e um dos pontos mais violentos da cidade, agora serve de cenário para a novela Salve Jorge, da Rede Globo, e atrai turistas.

Pedro acompanhou a reportagem pelas vielas do ponto mais alto do Morro do Alemão. Ele contou como era a área do Campinho antes das obras. "Aqui era cheio de lama e tudo escuro." O local foi pavimentado e iluminado. Recebeu um dos 2 mil novos postes e agora se integra aos 30 km de ruas abertas desde que começaram as obras de infraestrutura.

Turismo. O carioca Luis Sérgio da Silva levou um grupo de Ribeirão Preto para passear ali. "Quem vem de São Paulo faz o turismo clichê. Mas o Rio não é só praia", afirma Silva. O bondinho que liga as partes alta e baixa custa R$ 1. Outro grupo de turistas também aprovou o passeio. "É uma opção de ver com segurança quase que uma parte inteira do Rio e o melhor é que não custa quase nada", diz o francês Christophe Maciejewski, que levou a mulher, brasileira, o pai e a irmã.

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