18 policiais são investigados por achacar PCC

Eles foram flagrados em escutas telefônicas mantidas pelo Ministério Público Estadual, que mapeou a atuação da facção criminosa durante 3 anos

Luciano Bottini Filho e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2013 | 02h03

São 18 os casos de corrupção contra integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) que serão investigados pelas Corregedorias das Polícias Civil e Militar. Esse é o número constatado até agora de achaque flagrado nas escutas telefônicas mantidas pelo Ministério Público Estadual (MPE) para mapear a facção criminosa.

No fim da tarde dessa terça-feira, 15, o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, recebeu do Ministério Público Estadual (MPE), cópias dos documentos com as transcrições dos áudios sobre os achaques. Grella já havia sido informado sobre as investigações havia meses, mas, para preservar o sigilo das investigações sobre o PCC, só agora as provas foram enviadas às corregedorias.

Ao todo, 12 dos casos envolveriam policiais civis do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), do Departamento estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) e delegacias de São Paulo e de Santo André, no Grande ABC. No caso da Polícia Militar, a maioria dos casos envolveria homens de batalhões da Grande São Paulo, entre eles três tenentes da PM.

Um deles foi detido anteontem pela Corregedoria da PM depois de ter sido flagrado em uma interceptação conversando com um traficante. O oficial alegou em depoimento que estava fazendo uma investigação por conta própria. Na conversa com o bandido, o tenente se ofereceu para transportar drogas e fazer a segurança do traficante ligado ao PCC.

Além do tenente, um outro policial militar também foi flagrado conversando com os bandidos. Os demais achaques constam de conversas entre integrantes da facção ou em diálogos deles com seus advogados. Além de cobrar pela libertação de bandidos detidos, os policiais teriam vendido provas apreendidas em pen drives e em computadores.

Recurso. A Secretaria da Segurança Pública espera agora a decisão do Tribunal de Justiça sobre os recursos do MPE contra a recusa da 1.ª Vara de Presidente Venceslau de se decretar a prisão preventiva dos 175 denunciados pela promotoria sob a acusação de participação no PCC. Ao todo, 62 dos acusados estariam em liberdade - a Segurança Pública queriam montar uma operação para detê-los.

Além de não decretar as prisões, a 1.ª Vara de Presidente Venceslau também se recusou a conceder os mandados de busca e apreensão pedidos pelo MPE sob a alegação de que eles eram imprecisos e genéricos. Para os 23 promotores que assinaram a denúncia, não há mais como se fazer buscas agora, pois, cientes do pedido, os criminosos tiveram tempo suficiente para esconder armas e drogas em outros lugares.

Durante os meses que antecederam a apresentação da denúncia, quatro reuniões foram feitas entre magistrados, promotores e representantes do Executivo no Tribunal de Justiça. Além de promotores envolvidos nas investigações, participaram dos encontros três secretários de Estado e magistrados.

O governo explicou a gravidade dos fatos investigados. Os promotores contaram que iam pedir a prisão dos denunciados, além de representar à Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) a fim de que os chefes da facção fossem postos no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) - é atribuição da SAP fazer o pedido à Justiça.

Mais conteúdo sobre:
PCCpoliciaispolícia militar

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.