15 toneladas de lixo já saíram da cracolândia

Funcionários da Prefeitura se assustaram com a quantidade de sujeira na região

ARTUR RODRIGUES, FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2012 | 03h03

Para moradores do entorno da cracolândia, o maior avanço trazido até agora pela intervenção do poder público na área é a limpeza de ruas antes completamente tomadas pelo lixo. Em quatro dias de operação, a Prefeitura recolheu 15 toneladas.

A auxiliar de limpeza Telma Maria da Conceição, de 27 anos, diz que estava acostumada com os dependentes de crack, classificados por ela como inofensivos. A sujeira ela não conseguia aguentar. "Tudo aqui tinha um cheiro péssimo."

Os próprios viciados explicam que o lixo e o crack muitas vezes andam juntos. Isso porque é por meio do recolhimento de materiais recicláveis que alguns usuários da droga conseguem comprar a pedra diariamente. O que não é aproveitado acaba ficando no meio da rua.

Trabalhadores do serviço de limpeza da Prefeitura pareciam intimidados com o volume de lixo encontrado nos imóveis que haviam sido ocupados pelos viciados. De vassoura em punho, Maria Silvia Ferreira, de 24 anos, era uma das funcionárias responsáveis por limpar uma pensão abandonada na Rua Helvétia. Mesmo acostumada com o trabalho, ela diz que o local era o mais sujo que já havia encontrado na vida. "É incrível. Eles viviam no meio da sujeira."

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) esteve ontem de manhã na região. Ele afirmou que a inauguração do Complexo Prates - centro de acolhimento e tratamento para usuários - independe da Operação Integrada Centro Legal. Reportagem do Estado de ontem mostrou que o início do patrulhamento policial na região da Luz ocorreu sem o conhecimento do prefeito, do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do comando-geral da Polícia Militar.

"Você não pode aguardar o início de uma ação independente até que seja concluída a outra. Senão, nenhuma começa", disse Kassab. O prefeito defende, no entanto, que haja mais integração e interlocução entre as esferas de poder público envolvidas no comando da operação.

Em visita às obras do espaço de 11 mil metros quadrados, na Rua Prates, no Bom Retiro, Kassab prometeu entregar tudo até o fim de fevereiro. Antes, até o fim deste mês, já serão prestados serviços de assistência social. A capacidade é de 1,2 mil pessoas por dia.

Traficantes. Na quarta madrugada consecutiva de operação na cracolândia, PMs detiveram quatro supostos traficantes que mantinham um ponto de venda de droga em uma pensão na altura do n.º 55 da Rua Helvétia.

Com os detidos, nenhum deles portando documentos, os policiais apreenderam 520 pedras de crack, R$ 1.500 em dinheiro, três balanças e 18 relógios.

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