14h de greve castigam 5 milhões em SP

Metroviários descumprem decisão judicial e param 3 linhas até horário de pico da noite; CPTM tem paralisação total nas Linhas 11 e 12

O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2012 | 03h03

Foi um dia de transtornos. Das 4 horas - quando abrem as estações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) - até a retomada de operações por três linhas do Metrô, às 18h45, a cidade viveu mais de 14 horas de caos. Com boa parte dos ramais do Metrô fechada e as Linhas 11-Coral (Luz-Mogi das Cruzes) e 12-Safira (Brás-Calmon Viana) da CPTM paradas, cerca de 5 milhões de paulistanos que usam transporte público sofreram para chegar ao trabalho de manhã ou simplesmente se locomover pela cidade.

Quem estava nos ônibus e carros não escapou - São Paulo registrou, às 10 horas, o recorde de congestionamentos para a manhã desde que começaram as medições, nos anos 1980. Motoristas demoravam até três horas para cruzar vias que, em dias normais, são percorridas em 30 minutos. Diante da demora, muitos resolveram seguir viagem a pé. Com 60 ônibus extras, o sistema de emergência da Prefeitura não conseguiu atender tanta gente. Em São Mateus, esperava-se 1h, em média, para embarcar.

Tumulto. Na zona leste, sem trens nem Metrô, a Tropa de Choque da PM usou bombas de gás para dispersar passageiros que fecharam a Avenida Radial Leste, na frente da Estação Itaquera, da Linha 3-Vermelha, para protestar. Uma pessoa ficou ferida e duas foram detidas - entre elas, uma copeira que chamou PMs de covardes.

A mais de 30 km dali, no Jabaquara, zona sul, usuários também enfrentaram a polícia e atearam fogo em jornais do sindicato dos metroviários. O cenário só não foi caótico na Linha 4-Amarela, privatizada, cujos funcionários não aderiram à paralisação.

Mesmo com a decisão de acabar com a greve no Metrô - tomada às 16h30 pelos metroviários após audiência de conciliação com o governo na 2.ª Região do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) -, muita gente ainda sofreu para voltar para casa. Na Estação Barra Funda, os portões foram abertos às 18h30 e os corredores logo lotaram. Houve confusão e correria e muitos passageiros pularam as catracas. Às 20 horas, sindicalistas da CPTM também decidiram encerrar a paralisação, mas a operação só seria normalizada hoje de manhã.

O caos foi tanto que à tarde algumas empresas chegaram a dispensar mais cedo seus funcionários - muitos foram pegos de surpresa com o fim da greve. "Quando estava chegando à Estação Bresser, eles (Metrô) anunciaram que o trem seguiria até a Penha. Na Penha, disseram que o metrô iria até Corinthians-Itaquera", comemorava, às 19h, o selecionador de pessoal Ricardo Lima, de 21 anos.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) classificou a greve como "eleitoreira" e "ilegal", já que sindicalistas descumpriram ordem judicial de manter 100% de operação em horários de pico e 85% no resto do dia. "É o argumento dele para não discutir nossas reivindicações", rebateu o sindicalista Altino de Melo dos Prazeres. / ADRIANA FERRAZ, ARTUR RODRIGUES, BRUNO RIBEIRO, CAMILA BRUNELLI, WILLIAM CARDOSO e JULIANA DEODORO

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