130 lutadores vão desfilar em SP

Unidos de Vila Maria homenageia imigrantes

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2013 | 02h03

Em uma ampla sala no terceiro andar de uma academia da Liberdade, no centro de São Paulo, 12 pessoas treinam desde janeiro uma coreografia que mistura passos de dança, golpes de tae-kwon-do e movimentos carnavalescos. Vestidos com o tradicional dobok - parecido ao quimono -, faixa na cabeça e sapatilhas, eles ensaiam a performance que vão apresentar hoje no sambódromo.

Os "passistas" fazem parte da ala dedicada à luta coreana na Unidos de Vila Maria, escola que homenageia a Coreia do Sul no desfile deste ano. São 130 praticantes do esporte de diversas academias, que levarão seus amigos e parentes. O tae-kwon-do, arte marcial coreana, é um dos destaques da escola.

"Pensamos que era só ter samba no pé, mas não. Estamos ensaiando desde janeiro, aprendendo a coreografia e o samba-enredo", explica o mestre Yeo Jun Kim, coreano que mora no Brasil há 35 anos e preside a Federação de Tae-kwon-do do Estado de São Paulo.

Até hoje, Mestre Kim participou de apenas um carnaval, o de Salvador, em 1988. "Mas nunca imaginei na vida que fosse desfilar." Para não fazer feio na avenida, Kim ouve o samba em todos os lugares: no carro, em casa e no trabalho. "Não tenho a ginga que o brasileiro tem, mas está tudo certo, vou ficar pulando."

Chegar à coreografia final, porém, não foi simples. A primeira sequência a ficar pronta foi considerada extremamente difícil para os iniciantes. Para resolver o impasse, a professora de dança Malu Lima e seu marido, o professor de tae-kwon-do Tiago Rodrigues, uniram golpes da luta a passos de samba. "Como era impossível ensaiar as 130 pessoas juntas, fizemos algo mais simples", diz Rodrigues.

Para Mestre Kim, porém, a importância da participação vai além da visibilidade dada ao tae-kwon-do. "O samba está me ajudando a colocar meus filhos em contato com a cultura coreana."

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