13% usam carro todos os dias em São Paulo

Índice subiu cinco pontos porcentuais desde 2007; cidade ganhou 60.917 CNHs no ano

BRUNO RIBEIRO, CAIO DO VALLE, MARICI CAPITELLI, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2011 | 03h05

Embora o trânsito seja considerado o segundo pior problema de São Paulo - atrás só da saúde pública -, os paulistanos estão usando mais automóveis neste Dia Mundial sem Carro, comemorado hoje. Segundo pesquisa do Ibope e da Rede Nossa São Paulo feita com 805 pessoas na capital, 13% dos entrevistados usam carros todos os dias. Em 2007, eram 8%. O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) confirma a preferência: em três anos, o número de emissões de Carteiras Nacional de Habilitação (CNH) na cidade cresceu 55%.

Nem a inauguração de oito estações de metrô no último ano fez o paulistano ver o sistema como uma boa alternativa: 58% dos entrevistados disseram que só usariam o meio de transporte - apontado como o mais importante para a cidade - se mais linhas fossem criadas.

Os entrevistados também afirmam que o trânsito está piorando: 55% consideram-no péssimo, ante 37% no ano passado. "Os resultados mostram que, para a população, pouca coisa está sendo feita para melhorar o trânsito. A ampliação da rede de metrô, por exemplo, é muito lenta", diz o coordenador da Rede Nossa São Paulo, Oded Grajew. "Falta, para a cidade, um plano de mobilidade urbana. Os problemas estão aí, todos detalhados. E as soluções, que são mais investimento em transporte público, também. Falta fazer."

Por outro lado, a economia aquecida dos últimos anos e o aumento de renda das classes C e D só fazem crescer a "motorização" de São Paulo. "Sentimos um aumento por parte dessas pessoas que agora podem ter um carro e nos procuram para fazer aulas", diz José Pereira Guedes, presidente do Sindicato das Auto Moto Escolas e Centro de Formação de Condutores no Estado de São Paulo. Segundo o Detran, em 2008 foram emitidas 78.912 CNHs, média de 216 por dia, enquanto neste ano, até o fim de junho, foram 60.917 - 336 por dia.

Outro número que mostra essa tendência é a quantidade de pessoas que têm carro em casa. Entre os que ganham entre dois e cinco salários mínimos, o aumento é de 10% (de 52% em 2010 para 62% neste ano).

Coletivo. Para especialistas, a escolha pelos carros tem motivos econômicos e até psicológicos, mas a qualidade do sistema atual de transporte coletivo também afasta os usuários. "Ninguém vê uma viagem de ônibus como uma coisa agradável", diz o advogado José Almeida Sobrinho, presidente do Instituto Brasileiro de Ciências do Trânsito.

Segundo a pesquisa da Nossa São Paulo, 47% dos entrevistados reclamam da demora dos ônibus em passar nos pontos e nas paradas. No ano passado, eram 34%. O levantamento mostra ainda que para 52% os coletivos estão mais lotados, ante 48% em 2010.

Em nota, a Prefeitura informou que os índices de lentidão do ano passado "permaneceram abaixo dos níveis registrados em 2008 e 2009" e que "trabalha para que o sistema de transporte público de São Paulo seja mais eficiente e confortável para os usuários".

Respeito. O estudo também colheu informações sobre a percepção do paulistano sobre o respeito entre motoristas, motociclistas e pedestres. No ano passado, 68% dos entrevistados disseram achar o pedestre "um pouco" ou "muito" desrespeitado. Neste ano, o número subiu para 80%.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) faz uma campanha para aumentar o respeito aos pedestres desde maio, dois meses antes de as entrevistas serem feitas pelo Ibope. A companhia informa que "há vários índices positivos relativos ao Programa de Proteção ao Pedestre". Cita, entre os principais, a redução de 61% no número de atropelamentos no centro, primeira região que recebeu a ação. Uma pesquisa da CET mostra aumento de 10% para 25% a prioridade para o pedestre nas faixas de travessia.

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