13 lajes de prédio do ABC caem, matam criança e deixam feridos e desaparecidos

Desabamento aconteceu às 19h45 no centro de São Bernardo do Campo; ainda não se sabe o que causou o colapso parcial do edifício

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2012 | 03h01

Um desabamento de 13 lajes de um prédio comercial no centro de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, matou uma menina de 6 anos e deixou uma enfermeira desaparecida por volta das 19h45 de ontem. Outras cinco vítimas foram retiradas com vida do local e levadas para hospitais da região. Testemunhas disseram que há quatro pessoas nos escombros - funcionários da lanchonete no térreo -, mas o Corpo de Bombeiros não confirmou.

Não há sinais de explosão na lanchonete, segundo o tenente-coronel Roberto Rensi Cunha, comandante do 8.º Grupamento de Bombeiros, que abrange a região do ABC. O Edifício Senador fica na Avenida Índico, na esquina com a Rua Jurubatuba, a poucos metros do Paço Municipal. O desabamento afetou todos os 13 andares do prédio, do topo ao subsolo. Mas o colapso foi parcial: só as salas comerciais de fim 4 foram afetadas. Algumas vigas e lajes estão comprometidas, mas a estrutura principal está firme, segundo o tenente-coronel.

A menina que morreu e seus pais estavam em um consultório médico no 6.º andar. A enfermeira desaparecida trabalha ali. A médica que atende no local e a mãe da criança saíram do prédio sem ferimentos e sem ajuda dos bombeiros. O pai ficou ferido.

Ainda não se sabe onde o colapso teve início. "É prematuro levantar qualquer hipótese nesse momento. Já estamos vistoriando o prédio com a Defesa Civil e vamos analisar suas características. Vamos esperar o pessoal de Engenharia chegar às suas conclusões", disse o tenente-coronel. Ele também disse que não há informação de reformas em andamento no edifício.

O vendedor Jair Pereira dos Santos, de 25 anos, estava passando de carro pela Rua Jurubatuba por volta das 19h45 quando percebeu que pedaços de pedra caíam sobre seu Fox preto. "No começo, pensei que fosse algum caminhão jogando pedra. Mas logo depois começou a cair janela, ar-condicionado, tudo", conta. "Estava com as janelas fechadas e o entulho estourou o vidro do meu carro. Meu coração disparou, então eu acelerei. Vi um rapaz ensanguentado, acho que ele foi socorrido."

O porteiro do Edifício Senador, José Orlando Vieira Santos, de 46 anos, contou que tinha ouvido estalos durante a noite. "Estou há nove meses trabalhando aqui. E achava estranho", conta ele, que ontem deveria estar trabalhando no turno das 19h às 7h, mas, por sorte, tirou uma folga.

Síndico do Edifício Senador há dez anos, Lauro Salera, de 69, contou que o prédio tinha entre 30 e 40 anos e 74 salas comerciais, entre elas um cartório. Ele garantiu que a manutenção era feita normalmente no edifício. "Em princípio, o único lugar que teria botijão de gás seria a lanchonete do térreo."

Buscas. "Conseguimos estabilizar algumas partes que oferecem risco e já estamos com cães farejadores no local", disse o tenente-coronel Cunha. A preocupação é sobre a segurança das equipes durante a busca. "Ainda há comprometimento de algumas partes do edifício, mas, visualmente, as colunas principais indicam resistência da estrutura", disse Cunha. "Engenheiros da Defesa Civil já estão nos assessorando no posto de comando."

A garota que morreu usava uniforme escolar, segundo as equipes de resgate. A maioria dos feridos foi levada ao Pronto-Socorro Central de São Bernardo. Segundo os bombeiros, não há ninguém em estado grave.

Para garantir a segurança de pedestres e motoristas, a Avenida Índico vai ficar interditada por dois ou três dias, segundo a Defesa Civil.

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