13% das lâmpadas de rua de SP vão ser trocadas

Prefeitura vai substituir 75 mil equipamentos de luz branca pelas amareladas e mais fortes até o fim do ano; pontos com crimes serão priorizados

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

08 Março 2013 | 02h09

A cidade de São Paulo vai ficar mais iluminada se uma promessa da Prefeitura sair do papel. Até o fim do ano, as cerca de 75 mil lâmpadas de vapor de mercúrio (de luz branca) que ainda iluminam as ruas da capital serão substituídas por equipamentos de vapor de sódio, que emitem luz alaranjada 35% mais forte e gastam menos energia. É o que afirmou ontem o secretário municipal dos Serviços, Simão Pedro.

Com a substituição das lâmpadas, serão beneficiados 13% dos 544 mil pontos de luz paulistanos. A meta é trocar cerca de 10 mil luminárias a cada mês, em média. Vias de diversas regiões da cidade ainda têm instaladas as lâmpadas mais fracas, mesmo em áreas do centro expandido. Muitas vezes, na mesma rua há os dois tipos de dispositivo, alternando pontos melhor iluminados do que outros.

A gestão Fernando Haddad (PT) também pretende colocar 18 mil novos pontos de luz em lugares que hoje estão às escuras. "São ruas ou bairros que foram regularizados e que ainda não têm iluminação", disse Pedro. Já estão sendo priorizados os lugares onde houve casos registrados de violência sexual.

Uma praça na Rua Oscar de Moura Lacerda, na Casa Verde, na zona norte, a Praça Miguel Melo e Alvim, em Cidade Líder, na zona leste, e uma viela sem nome na Vila Medeiros, na zona norte, foram os primeiros locais onde mulheres já foram vítimas de agressão a receberem essas novas luminárias.

Um mapeamento feito pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) no ano passado, ainda no governo Gilberto Kassab (PSD), foi repassado para a Secretaria Municipal dos Serviços, responsável pela iluminação pública, para ajudar a balizar as decisões sobre os pontos que devem ter a luz reforçada.

Na avaliação da urbanista Ermínia Maricato, professora de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), a redução da violência na cidade passa pelo reforço da iluminação. "Isso é fundamental. Há estudos que mostram que nas áreas mais iluminadas o índice de ocorrências de roubos e agressões diminui."

Mulheres. As medidas foram anunciadas em cerimônia dedicada à divulgação de novos programas municipais voltados às mulheres, realizada na sede da Prefeitura, na região central.

Segundo a secretária municipal de Políticas para Mulheres, Denise Motta Dau, entre as medidas haverá uma campanha, em parceria com a Secretaria Municipal dos Transportes, contra assédio sexual nos transportes públicos, além de um convênio com a Secretaria Municipal da Habitação para que mulheres vítimas de agressão possam ser encaminhadas para o programa que subsidia alocações de imóveis para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Ainda de acordo com ela, um grupo de trabalho técnico também está sendo criado no âmbito da pasta dedicada a políticas de proteção à mulher para que suas diretrizes fiquem em sintonia com as da Secretaria Municipal de Assistência Social, especialmente com relação aos centros de referência da mulher e as casas de abrigo.

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