122 execuções sob suspeita

Das 496 mortes por armas de fogo ocorridas entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, há indícios consistentes de execuções praticadas por policiais em 122 casos, segundo o relatório. Em grande parte dessas ocorrências testemunhas descreveram procedimentos semelhantes praticados pelos autores do crime. O primeiro passo era o toque de recolher. Em seguida, os alvos eram escolhidos em abordagens policiais. O crime era então praticado por homens encapuzados. Logo em seguida chegava a viatura, removendo o corpo do local e danificando provas.

, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2011 | 00h00

As chamadas resistências seguidas de morte, em que o homicídio ocorre em suposta troca de tiros com a polícia, também foram recorrentes. Houve126 casos no período. Entrevistas com testemunhas e autoridades apontaram que 51 casos tinham fortes indícios de execuções.

Uma omissão importante na apuração decorreu da alegada falha técnica nas gravações do 190 do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) justamente nas semanas que se seguiram aos ataques. O índice de resolução dos casos foi baixíssimo. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), segundo relatório, elucidou a autoria de apenas 13% (4 de 34) dos homicídios com suspeita de participação de policiais - só uma das quatro chacinas em que havia possibilidade de envolvimento de agentes ligados a grupos de extermínio.

Ao longo desta semana, as Mães de Maio, grupo que reúne familiares de vítimas de policiais, vão realizar eventos para relembrar os episódios. "Hoje o grupo não reúne só as mães de maio, mas mães que perderam os filhos em quase todos os meses do ano. Por causa da impunidade, os policiais continuam matando", afirma Débora Maria da Silva, coordenadora do Mães de Maio.

Cemitério. Em abril, depois que uma mulher ligou ao Copom testemunhando o assassinato praticado por um policial no cemitério de Ferraz de Vasconcelos, o governo determinou que o DHPP passasse a investigar todos os casos de resistências seguidas de morte.

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