115 mil km de tubulações disputam espaço sob as calçadas paulistanas

Sabesp tem atualmente a maior rede subterrânea de serviços, com 34 mil km; detalhamento vai facilitar o planejamento de obras

O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2011 | 03h02

No subterrâneo da capital, cabos e tubulações formam uma rede de 115 mil quilômetros dos mais variados serviços. Esse universo de fios equivale a três viagens de ida e volta entre São Paulo e Tóquio, no Japão. Sob os pés de quem caminha pelas calçadas, concessionárias de água, esgoto, luz, telefonia e gás travam uma disputa silenciosa - e às vezes perigosa - por espaço.

No total, a Telefônica é a campeã de ligações, com 38 mil km de cabos, mas só 6.500 km enterrados. Nesse quesito, quem ganha é a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), com 34 mil km, todos no subsolo. Os dados ainda mostram que, por enquanto, o uso de gás encanado está restrito ao centro expandido, enquanto as ligações de telefone se espalham por todos os distritos.

O raio X das grandes avenidas revela que a Paulista está tomada por todas as redes de serviços, com destaque para as novas ligações de telefonia, que preveem acesso a internet e TV a cabo. A mesma característica é encontrada na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona sul. A semelhança é explicada pela concentração de torres de escritórios em ambos os endereços.

Para o geólogo Edilson Pissato, do Instituto de Geociências da USP, o banco de dados digital foi criado tardiamente. "Mas é bem-vindo, claro. O conhecimento das redes é muito importante na prevenção de acidentes em escavações subterrâneas ou ao ar livre, como aberturas de valas, e na execução de sondagens mecânicas", diz.

Expansão. Pissato também afirma que organizar o território subterrâneo é imprescindível diante do crescimento da quantidade de redes. "Algumas, como a elétrica, têm sido transferidas para o subsolo. Outras estão em ampliação, como a de gás. Isso tudo tem de ser organizado para que uma não interfira na outra nem no espaço subjacente."

Esse espaço subterrâneo é explorado de formas distintas de acordo com o serviço ofertado e a característica da rua. Atualmente, métodos construtivos menos invasivos permitem a realização de obras sem abertura de grandes valas.

Segundo o Departamento de Controle de Uso de Vias Públicas (Convias), a tubulação de esgoto, na média, é a mais profunda: tem cerca de dois metros.

A explicação, de acordo com a Sabesp, está no método utilizado para a coleta. "Ela é feita por gravidade. Por isso, a tubulação tem de ser projetada para atender o maior número possível de imóveis", diz Amarildo Miguel, gerente de manutenção do centro expandido.

É a partir do banco de dados do Convias que os pontos de monitoramento de áreas contaminadas são instalados na cidade. O departamento usa o mapa digital para liberar ou não a instalação desses equipamentos, uma vez que eles também precisam dividir o subsolo com outras redes já instaladas.

Áreas contaminadas. Segundo a Prefeitura, o número de pedidos para instalação de pontos de monitoramento vem aumentando. Em 2010, foram dez solicitações - neste ano, já são 14. Atualmente, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) lista 1.190 endereços com algum tipo de contaminação, como o solo do shopping Center Norte, na zona norte. Em quantidade, os postos de combustíveis lideram a lista.

As informações relativas ao subsolo contaminado ainda não estão disponíveis no GeoConvias. Em breve, a previsão é de que todos os pontos autorizados e solicitados sejam ilustrados no mapa digital, que hoje é apenas interno. A Prefeitura, no entanto, estuda publicar os dados na internet, para consulta pública.

Para a arquiteta e urbanista Lucila Lacreta, do Movimento Defenda São Paulo, o mapa das redes é imprescindível para o crescimento planejado de uma cidade. "É a mesma coisa que fazer diagnóstico de paciente. É preciso realizar todos os exames para saber se a saúde dele está boa. Agora será possível melhorar esse trabalho." / ADRIANA FERRAZ

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.