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11 feridos em rebelião na Fundação Casa

Motim durou 4 h e jovens tomaram 12 reféns; segundo os monitores, tentativa de fuga frustrada teria iniciado o tumulto na Vila Maria

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2011 | 00h00

Após quatro horas de negociação com a Polícia Militar e representantes da Corregedoria da Fundação Casa, 50 internos da Unidade de Vila Maria, na zona norte da capital paulista, encerraram ontem uma rebelião que durou das 16h às 20h. No motim, 12 pessoas foram mantidas reféns, entre professores, monitores e adolescentes que se recusaram a rebelar-se. Três funcionários e oito meninos se feriram.

Enquanto a confusão aumentava na unidade, do outro lado da Marginal do Tietê houve, por solidariedade, princípio de rebelião na Unidade Nova Vida. Os menores teriam ficado assustados com o sobrevoo de helicópteros, principalmente o Águia da PM, que usava holofote.

Segundo os monitores da Vila Maria, uma tentativa de fuga sem sucesso teria despertado a ira dos adolescentes, que trancaram quatro professores de Arte em uma sala e ficaram com os outros reféns no pátio. Nesse local, atearam fogo em colchões e quebraram carteiras e cadeiras da sala de artes.

O corregedor da Fundação Casa, Jadir Pires de Borba, observou que os menores improvisaram armas com pedaços quebrados das instalações, incluindo cadeiras. Na confusão, seis menores se feriram e outros dois teriam sido agredidos pelo grupo. De acordo com Borba, os monitores machucados tiveram apenas escoriações leves.

Ele não soube explicar os motivos da rebelião, mas não descartou a hipótese de uma tentativa de fuga que não deu certo. Para acalmar os ânimos, 15 viaturas da Polícia Militar foram enviadas para o local. Havia ainda homens das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), do Choque e do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). Cães da corporação também estiveram a postos na unidade.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança ao Adolescente e à Família do Estado de São Paulo (Sitraemfa), Julio Alves, houve briga entre os menores. "A unidade tem problemas há alguns anos." Ainda segundo Alves, há defasagem de funcionários no local. "Não houve confronto. Essa unidade é tranquila e não está superlotada", rebateu o corregedor Borba. Ele ressaltou também que os rebelados poderão sofrer sanções, como a redução no tempo de visita e restrição aos acessos comuns da unidade.

Reféns. Para a professora Daniela Assis, uma das reféns, a noite só terminou bem após um forte abraço que deu na mãe, que estava chorando do lado de fora da unidade. "Ficamos em uma sala trancada pelos menores, mas não fomos agredidos."/ COLABOROU MARCELA GONSALVES

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