108 semáforos quebram por dia em São Paulo

Número de problemas aumentou 13% em comparação a 2012; Prefeitura pretende gastar R$ 250 mi com reforma do sistema

TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2013 | 02h06

Nos dois primeiros meses do ano, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 108 defeitos nos semáforos da cidade de São Paulo por dia. O número é 13% maior do que o contabilizado no mesmo período do ano passado. Para tentar resolver o problema, a Prefeitura pretende gastar R$ 250 milhões nos próximos três anos com a reforma de semáforos em 4,8 mil cruzamentos da capital.

As empresas contratadas para fazer o serviço terão de substituir os equipamentos defeituosos e instalar um sistema de localização GPS que avise a central da CET quando o semáforo estiver com defeito. Atualmente, os agentes de trânsito só ficam sabendo que um equipamento está com problemas se alguém passar por lá e avisar. Isso faz com que o tempo médio de conserto seja de nove horas.

Para o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, cruzamentos com grande movimentação de veículos não podem ficar mais do que uma hora com o semáforo defeituoso. "Hoje não há um sistema que nos avise dos problemas. E isso, do ponto de vista da gerência, é inadmissível", disse ontem, durante audiência pública sobre o contrato. O edital deve ser publicado em maio e a empresa, contratada em julho.

Energia. O contrato prevê ainda o aterramento de todos os controladores semafóricos e a instalação de ao menos mil no-breaks ligados a esses equipamentos. Os aparelhos ajudam a manter a tensão da corrente elétrica estável e servem como uma bateria em caso de falta de eletricidade. Atualmente, o município tem 200 no-breaks, instalados por meio de convênio com a AES Eletropaulo. A CET pretende instalar mais 300 aparelhos até o fim do ano por meio de outras parcerias.

Sete em cada dez semáforos quebram por causa do desgaste de componentes eletrônicos ou pelo uso de peças adaptadas, segundo dados da Secretaria Municipal de Transportes. Pelo menos 600 cruzamentos tiveram defeito mais de cinco vezes em um período de 90 dias. Motoristas que passam todo dia pelo cruzamento da Estrada da Colônia com a saída do Terminal Parelheiros, na zona sul, viram os semáforos apagados ou com amarelo piscante 38 vezes desde janeiro, de acordo com a CET.

Após fazer o reparo, a empresa terá a obrigação contratual de manter o equipamento funcionando por dois anos. Para garantir a qualidade dos materiais usados nos consertos, a Prefeitura pretende contratar o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Outra exigência que deve aparecer no edital diz respeito à preparação de um sistema de semáforos inteligentes até o fim de 2016. Tatto diz que pretende investir outros R$ 300 milhões em uma central de monitoramento e na instalação de 3 mil aparelhos capazes de abrir e fechar a partir do cálculo de quantos veículos passam pelo cruzamento.

A comunicação com a central seria feita por meio de cabos de fibra ótica. A central aproveitaria câmeras de trânsito para monitorar, também, os corredores de ônibus e informar motoristas sobre pontos de alagamento e rotas alternativas.

Uma audiência pública sobre o assunto deverá ocorrer na segunda-feira. "Vamos correr para ver se conseguimos instalar pelo menos a metade até o fim do ano", afirmou o secretário.

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