103 são presos por tráfico em 14 dias na cracolândia

É mais da metade do registrado em 2011; investigadores dizem ter sido orientados a focar na região e 'esquecer' outros inquéritos

BRUNO PAES MANSO, DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2012 | 03h05

Em duas semanas, o Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil fez na cracolândia mais da metade das prisões de traficantes contabilizadas na mesma região do centro de São Paulo em 2011. Foram 103 presos, totalizando 83 autos de flagrante e 2,883 quilos de crack apreendidos entre os dias 6 e ontem. Em todo o ano passado, foram 200 prisões em flagrante.

Entre os presos nos últimos 14 dias, porém, dezenas eram apenas usuários que vendiam pequenas quantidades de pedra para manter o próprio consumo. Nenhum ponto de tráfico ou suspeito de controlar parte da venda de crack na região foi para a cadeia. "Não importa a quantidade de droga. Depende da postura. A gente acaba pegando o pequeno também que vende para sustentar o vício", admite Edison Santi, delegado responsável pelo Setor de Inteligência do Denarc.

A mobilização do Denarc na cracolândia envolve os 360 investigadores do departamento, responsável por investigar o narcotráfico nos 645 municípios paulistas. A ordem, segundo investigadores ouvidos pelo Estado, é "esquecer" os outros inquéritos ou prisões previstos para outras regiões do Estado e na própria Grande São Paulo. Existe até uma "meta" imposta pelo comando do setor para que cada uma das dez equipes de investigadores que estão na região faça pelo menos duas prisões em flagrante por semana.

Inteligência. O problema da operação, ainda de acordo com relatos de policiais, é que não houve nenhum trabalho de inteligência anterior para identificar quem eram os traficantes da região. Na sexta-feira passada, dois investigadores que tentaram se infiltrar na Favela do Moinho, em Campos Elísios, ao lado da cracolândia, acabaram descobertos por marginais. Eles foram expulsos e tiveram de entrar às pressas em um carro da Força Tática da PM que estava parado na entrada da favela.

Outra dupla de policiais que tentou se misturar entre os usuários da Rua Helvétia conseguiu prender na terça-feira Desirée Mendes Pinto, de 35 anos, grávida de quatro meses. Ela era procurada havia duas semanas pela sogra e foi flagrada pelos investigadores com 54 pedras de crack. Além dos 103 presos, dos quais cinco eram menores de idade, o Denarc tem checado diariamente documentos e registros criminais de moradores da Favela do Moinho. / COLABOROU WILLIAM CARDOSO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.